Calçado da Benedita quer afirmar-se como amigo do ambiente

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O cluster do calçado beneditense prima pela utilização de produtos naturais certificados

Portugal quer ser referência internacional pela responsabilidade ambiental na indústria do calçado, mas na Benedita essa já é a realidade

Entre 1 e 5 de fevereiro assinalou-se a Semana da Responsabilidade Ambiental para a fileira do calçado. O desafio, promovido pelo Centro Tecnológico do Calçado, é tornar Portugal como a grande referência internacional no desenvolvimento de soluções sustentáveis no setor.
Na região, a Benedita é um conhecido cluster industrial neste setor, composto por empresas que têm, justamente, o conceito de responsabilidade ambiental e sustentabilidade como um dos seus pilares.
Por isso, os empresários acreditam que este plano poderá beneficiar as empresas, sobretudo para reforçarem a visibilidade a nível internacional de um setor que já é, sobretudo, exportador.

Empresas têm construído reputação a nível internacional

Na Trofal, que herda tradição do calçado com mais de um século, a preocupação ambiental vem, precisamente, da génese da empresa. “Ainda não se falava em peles isentas de crómio já o meu pai procurava evitar esse químico, que sabia que era prejudicial para a saúde”, refere Filipa Couto.
A empresa é certificada pelo uso de produtos naturais desde 1995. “Foi a primeira do setor, em Portugal, e das primeiras na Europa”, salienta a responsável.
“Fomos também a primeira empresa a fazer calçado sem pele, com produtos vegan, que é uma vertente cada vez mais procurada”, acrescenta Filipa Couto.
Especialista no calçado do tipo Goodyear, o calçado fabricado na Trofal é “mais durável, mais confortável, amigo do ambiente, e mais saudável”, afirma. E apesar de já ser reconhecida no mercado como uma empresa que prima por um produto amigo do consumidor e do ambiente, Filipa Couto acredita que uma promoção conjunta de todo o setor a nível internacional, promovendo o calçado português como ambientalmente sustentável pode impulsionar o setor.
Essa é igualmente a crença de Lino Rafael, administrador da Rafaela Silva. A empresa tem procurado afirmar-se nesta área. “Usamos 99% de produtos naturais”, refere. Além das peles, a empresa utiliza cortiça e também aposta em materiais reciclados para as solas.
Lino Rafael salienta que a empresa já faz questão de comunicar estas características na promoção das suas duas marcas. “São questões cada vez mais valorizadas pelo cliente, sobretudo no estrangeiro, onde há maior exigência em conhecer as origens das matérias primas e se são utilizados produtos nocivos para a saúde”, refere.
Ser uma marca amiga do ambiente é, igualmente, o desígnio da Montado, marca detida pela JRF & Filhos. Aqui não se trata apenas do fabrico do calçado, mas de todo o processo, desde a recolha da cortiça, que tem que garantir o bem-estar das árvores. Todos os processos de transformação são realizados com matérias-primas naturais, desde as colas, as tintas, às fibras que suportam o tecido de cortiça.
“Não queremos deixar qualquer vestígio da nossa produção”, realça Gil Fialho, administrador da empresa. Isso tem levado a empresa a uma busca constante por produtos diferentes, “que o público aceite”.
A empresa ostenta mesmo os símbolos de Ecofriendly e da entidade Peta Vegan, que garante que os produtos são 100% compatíveis com a filosofia vegan, na qual não entram matérias-primas de origem animal, nem outros que não se encontrem na natureza.
Além da preocupação pela sustentabilidade do fabrico dos produtos, todas estas empresas continuam a busca por diminuir cada vez mais a sua pegada ecológica no processo de fabrico, o que contempla, num futuro tão revê quanto possível, a utilização de energias limpas, como a instalação de centrais de autoconsumo fotovoltaicas.
Além da preocupação pela sustentabilidade do fabrico dos seus produtos, todas estas empresas continuam a busca por diminuir cada vez mais a sua pegada ecológica no processo de fabrico, o que contempla, num futuro tão revê quanto possível, a utilização de energias limpas, como a instalação de centrais de autoconsumo fotovoltaicas. ■

 

Números do setor

  • 30 é o número de empresas na região que se dedica diretamente ao fabrico de calçado, às quais se junta um conjunto de outras que também opera no ramo da maquinaria
  • 22 milhões de euros, é o volume de negócios – referente ao exercício de 2019 – que o conjunto destas empresas gera num ano
  • 15 milhões de euros, é a parte do volume de negócios do setor que segue para os mercados internacionais – de acordo com os números do mesmo ano. O mercado que mais consome o calçado da Benedita é o europeu, mas este segue um pouco para todo o mundo
  • 500 é o número aproximado de trabalhadores que o setor emprega na Benedita, número que vinha a aumentar nos últimos anos