Caldas estabelece protocolo para agilizar negócios com países da lusofonia

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Felisberto Castilho (núcleo de S. Tomé e Príncipe da CPLP), Hugo Oliveira (vereador da Câmara das Caldas), Mário Costa (presidente da União de Exportadores) e Xavier Martins (Instituto da Certificação da CPLP) | F.F.

Felisberto Castilho, representante da União de Exportadores da CPLP e coordenador do núcleo de S. Tomé e Príncipe ficou impressionado com a Feira dos Frutos, nas Caldas da Rainha. Depois de uma breve visita pelo certame, destacou a diversidade de maquinaria exposta, assim como de produtos hortofrutícolas, que gostaria de ver também no seu país. É no âmbito dessa cooperação que esteve presente na assinatura do protocolo entre a União de Exportadores da CPLP e o município caldense e AIRO, assinado no Parque D. Carlos I, durante a feira.

O representante santomense referiu que, além dos característicos cacau e café, este país africano também cultiva pimenta e baunilha, mas precisam de meios técnicos e materiais e de formação. “S. Tomé é estratégico, temos um mercado interno pequeno, mas existe um mercado da sub-região que é muito grande e inclui países como o Gabão, Congo, Guiné Equatorial, Camarões e o Gana”, disse, acrescentando que não conhece produtos portugueses a serem comercializados nessa região.
O núcleo da União de Exportadores facilita instalações de empresas naquele país, disponibilizando informações, tanto ao nível de mercado interno como da sub-região, e apoiando a sua instalação a nível da legislação e fiscalidade.
Também o presidente da União de Exportadores da CPLP, Mário Costa, destacou a importância, em termos estratégicos, de S. Tomé para a zona Oeste, especificando que o arquipélago tem menos de 200 mil habitantes, mas que integra uma sub-região com mais de 300 milhões de consumidores.
Para além de S. Tomé e Príncipe, também com a Guiné Equatorial, Timor Leste e Moçambique poderão ser parceiros importantes na dinamização dos frutos e hortícolas. “Faz parte da estratégia destes países diversificar a agricultura porque são terras aráveis e férteis”, explicou o responsável.
Mário Costa realça que o objectivo não é que empresas exportem produtos e comprem matéria-prima, mas ajudar a criar relações empresariais de uma forma saudável. Por exemplo, a União de Exportadores está a criar um Instituto de Formação e Certificação, juntamente com o governo da Guiné Equatorial, com o objectivo de certificar os produtos e aproximar o produtor ao consumidor, reduzindo a cadeia de intermediários.
Dirigindo-se à AIRO, disse que esta associação poderá ter um papel importantíssimo, disponibilizando empresários com formação, que vendam ferramentas e maquinaria, para além de fazer parcerias com agricultores destes países para, em conjunto, produzirem com qualidade. O responsável convidou, desde logo, a responsável da AIRO a deslocar-se a S. Tomé e Príncipe, com empresários, a fim de participar num fórum empresarial que estão a organizar e conhecer as potencialidades e necessidades que existem no país.
Ana Maria Pacheco, presidente da AIRO, deixou desde logo o compromisso de que farão tudo para que o protocolo agora assinado se traduza em “várias acções mutuamente interessantes”.
Já o presidente da Câmara, Tinta Ferreira, referiu que este protocolo é um acto simbólico que inicia um percurso de cooperação e realçou a importância de incrementar cada vez mais as relações económicas entre os países que falam a língua portuguesa, que poderão ser um elemento importante para a criação de riqueza. “As Caldas está no centro de uma importante zona de fruta e hortícolas e ao promover esta feira [dos Frutos] está a promover o produto e a criar riqueza para o produtor e para o país”.
A CPLP é actualmente constituída por nove países de quatro continentes, tem a quinta língua (português) mais falada do mundo, 650 milhões de consumidores e um PIB de 2,2 biliões de dólares.
A União de Exportadores é um órgão executivo da confederação empresarial da CPLP e funciona como o seu braço económico, tendo por objectivo desenvolver negócios em todo este espaço onde se integram os países membros, explicou o seu presidente, Mário Costa. Conta já com 400 associados entre empresas e associações empresariais.