Cimenteira de Pataias produz microalgas para diminuir níveis de poluição

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A produção de microalgas é um projecto de 16 milhões de euros, dos quais seis milhões vieram de fundos comunitários |DR

As microalgas usam o dióxido de carbono e libertam oxigénio na fotossíntese. Em Pataias há uma unidade de produção de microalgas instalada… numa fábrica de cimento. O projecto começou em 2007 e prevê no final desta década utilizar 25% do dióxido de carbono emitido  na cimenteira para reproduzir as microalgas.

Na fábrica Cibra Pataias, da Secil, foi apresentado recentemente um projecto inovador: uma linha de produção de microalgas desde a sua criação até ao embalamento, já transformadas em pó. São mais de 300 quilómetros de tubos com água doce, que parece ter uma cor verde porque é o habitat de milhões de microalgas.
Este projecto prevê um investimento a rondar os 16 milhões de euros, contando com seis milhões de euros provenientes de fundos comunitários.
A empresa tem um duplo objectivo: diminuir a poluição (no caso a emissão de CO2) libertada pela fábrica para a atmosfera e comercializar as microalgas nas suas várias formas. É que estas têm utilidade em vários sectores: alimentação, saúde, biocombustíveis, estética e cosmética.
As microalgas absorvem o dióxido de carbono da cimenteira que, por cada tonelada de calcário usada para produzir cimento, liberta 600 quilos de CO2 para a atmosfera. Por cada três toneladas de CO2 que sejam absorvidas para este fim, é criada uma tonelada de biomassa de microalgas.
Em 2019 a empresa pretende estar já a canalizar um quarto do gás poluidor para a produção das microalgas.
Para conseguir canalizar estes 25% de CO2, a área de implementação do projecto tem de crescer de um para 50 hectares. Em estudo está a criação de piscinas a céu aberto, que permitem maiores produções, mas com menor pureza.
Nas microalgas que são para alimentação, não é usado o dióxido de carbono que provém da cimenteira, mas sim uma outra versão mais pura, fabricada em laboratório. Actualmente, cerca de 90% da produção de microalgas é exportada, tendo a unidade de produção criado 20 postos de trabalho e recebido prémio nacionais e internacionais por este projecto.
Gazeta das Caldas contactou a Secil para perceber quanto a empresa consegue poupar em relação a soluções convencionais (por exemplo, filtros) e quanto poupa na factura de emissão de dióxido de carbono, mas não obteve respostas.
Isto apesar de a empresa afirmar no seu site que tem como valor “actuar de forma íntegra de acordo com os princípios de ética e transparência” e “assumir o compromisso de partilhar o conhecimento, a experiência e as boas prácticas que fortalecem o valor do grupo”. Ao nível da confiança e colaboração, refere o desenvolvimento de “relações de proximidade que potenciem a cooperação e a criação de valor, internamente e com a comunidade”.