Comunidades AIRO ajudam empresas na transição energética e na poupança

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Jorge Barosa, presidente da AIRO, durante a sessão de abertura do evento que colocou os agentes locais a discutir a transição energética

Comunidade da Rainha avança para a segunda fase e associação quer expandi-la a outros concelhos na região

 

A AIRO – Associação Empresarial da Região Oeste, está empenhada em contribuir de forma decisiva para a transição energética das empresas da região e, em simultâneo, auxiliá-las a reduzir despesas. Na Conferência AIRO Comunidades, a associação apresentou um conjunto de medidas de apoio às empresas.
O evento, que se realizou a 18 de janeiro no grande auditório do CCC, não teve “honras” de membros do Governo, como chegou a estar previsto, com o cancelamento da secretária de Estado da Energia e do Clima, Ana Fontoura, devido a uma viagem “urgente” a Bruxelas, o que não tirou relevância ao evento.
No encontro, a AIRO oficializou com a EDP o protocolo que cria a Comunidade Energética da Rainha, que envolve ainda o Município das Caldas da Rainha. Na zona dos Texugos, num terreno cedido pelo município por um período de 25 anos, será instalada uma unidade de produção de energia elétrica solar fotovoltaica, com potência instalada de 1MWh, que vai permitir poupanças de 40% a 70% na fatura energética de cerca de 150 empresas que não têm possibilidade de instalar centrais de autoconsumo, e ainda eletricidade gratuita para até 35 famílias carenciadas do concelho, identificadas pela Ação Social da autarquia.
A comunidade está criada, com todas as vagas preenchidas, pronta para receber a energia “verde”, que deverá começar a ser entregue até novembro deste ano, quando a instalação estiver concluída. E o sucesso da iniciativa já fez a AIRO avançar com as inscrições para a criação de um segundo pólo da comunidade, assim como negociações para a criação destas comunidades noutros concelhos do Oeste.
Além da Comunidade Energética, a AIRO lançou no evento as Comunidades AIRO, uma plataforma (em comunidades.airo.pt) onde as empresas se podem inscrever para acederem a um conjunto de serviços que têm como finalidade ajudar a ultrapassar algumas das dificuldades que atravessam. Na conferência foi assinado um protocolo com a Alves Bandeira, empresa que comercializa combustíveis e que atribui aos membros da comunidade um desconto de 10 cêntimos por litro em combustíveis. As Comunidades AIRO funcionam em parceria e vão permitir, nesta fase, aceder a compras conjuntas de energia, matérias-primas e diversos tipos de serviços, incluindo nas áreas da transição energética e sustentabilidade.
“A União Europeia tem objetivo de atingir neutralidade carbónica e a AIRO quer fazer parte da solução, para que estes objetivos sejam atingidos e para que os associados cresçam com sustentabilidade”, disse o presidente da AIRO, Jorge Barosa, na sessão de abertura.
Vítor Marques, presidente da Câmara das Caldas, disse que, com este projeto, a autarquia “assume o compromisso de contribuir para a neutralidade carbónica”, que é parte da “estratégia de investimento e criação de emprego”. ■

 

Oeste no centro da sustentabilidade ambiental, como há 45 anos atrás

Joel Ribeiro

Há cerca de 45 anos, o Oeste batia-se contra a instalação de uma central nuclear em Ferrel, luta que Gazeta das Caldas abraçou. Numa das muitas iniciativas promovidas para travar o processo, a Gazeta promoveu, em 1979, a apresentação de uma solução solar térmica para residências, construída por Hermínio Rebelo em Salir de Matos, que atraiu a imprensa nacional.
A energia solar, na altura era cara e rudimentar, evoluiu para se tornar numa das alternativas energéticas mais amigas do ambiente e de fácil acesso para empresas e cidadãos na produção de eletricidade para autoconsumo.
Hoje, o hidrogénio verde é visto como a solução de futuro para a crise energética e para a descarbonização, num horizonte bem mais curto que essas quatro décadas, e o Oeste volta a estar no centro da sustentabilidade.
Campos Rodrigues, presidente da Associação Portuguesa para a Promoção do Hidrogénio, disse que, nesta fase, o gás que prima por ser limpo e abundante “só consegue competir com um quadro grande de incentivos”, mas acredita que, assim que entre na rede energética, “vai demonstrar ser competitivo”.
O dirigente realçou que há vários projetos de hidrogénio verde em desenvolvimento no Oeste, mas destacou o Nazaré Hydrogen Valley, projeto que pretende ser um dos maiores do país. “O Oeste pode ter um papel de liderança neste processo”, sustentou. ■