Espera Wines nasceu há 10 anos e já se afirmou nos principais mercados

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Rodrigo Martins e Ana Leal são responsáveis pela produção dos vinhos

Marca começou como “uma brincadeira” do casal Rodrigo Martins e Ana Leal mas já explora 10 hectares de vinha e exporta 85% da produção

A Espera Wines está a celebrar o décimo aniversário e vai juntar este domingo parceiros e clientes num almoço que será o primeiro de três momentos de celebração ao longo do ano. O casal Rodrigo Martins e Ana Leal começou a produção dos vinhos Espera com 900 garrafas, em 2014, e já atingiu as 40 mil. São vinhos naturais e orgânicos, que têm ganho grande reputação nos grandes meios urbanos mundiais.
“Nós começámos em 2014, como uma brincadeira”, conta Ana Leal. “Foi uma oportunidade que surgiu de tomarmos conta de duas vinhas ao fim de semana, como hobby, o que criou também um espaço para o Rodrigo poder experimentar coisas novas, que não tinha a possibilidade de fazer nas empresas onde trabalhava”, acrescentou.
No final das primeiras quatro vindimas “pensámos em tornar a coisa mais séria e criámos um produto que pudéssemos comercializar”, continuou. Foi assim que nasceu a Espera Wines. O nome que resulta da combinação de um processo relacionado com a poda, mas também com a produção dos vinhos. “Queríamos que o nosso nome refletisse a vinha e um conceito de vinhos que ficam alguns anos em adega”, diz o enólogo.
Os vinhos Espera são uma abordagem diferente. “Acima de tudo, acreditamos que quanto menos coisas usarmos no vinho, mais fácil será transmitir o local onde cultivámos as uvas. Há um termo francês que resume isto, que é o “terroir”, que é o conjunto de características naturais, como o solo, o clima, as plantas, o homem, é tudo isto que queremos exprimir”, realça Rodrigo Martins.
No processo produtivo, o único aditivo utilizado é o sulfuroso, um conservante, e alguns vinhos não têm qualquer aditivo. “Transitámos de uma agricultura convencional para uma agricultura orgânica, biológica, porque se os frutos forem mais puros, transmitem melhor o local onde nós estamos a produzir o vinho”, acrescenta.
Este conceito inclui ainda a utilização de castas nacionais e, maioritariamente, da região. “É muito mais arriscado fazer isto na nossa região, porque o clima é muito húmido, mas temos a perfeita consciência que tomámos a decisão mais correta, porque nos diferenciou no mercado”. “Não são vinhos tão fáceis para um consumidor comum, mas são vinhos muito procurados por consumidores com mais experiência”, afirma Rodrigo Martins.
Até 2019 a marca comercializou exclusivamente no mercado nacional. Depois surgiu a pandemia e, com os restaurantes fechados, o casal temeu que as vendas caíssem. Mas o que aconteceu foi precisamente o inverso. “Começámos a ser abordados por mercados estrangeiros, sobretudo via redes sociais, a pedir que enviássemos amostras. O que desperta curiosidade é a forma como nós comunicamos as nossas vinhas, mas por referência também, estando nós associados a outros produtores dentro do mesmo conceito”, conta Ana Leal.
A empresa já terminou esse ano implementada em oito países e, até à data, já está em 27 repartidos em três blocos principais, Europa, América e Ásia. As exportações já representam cerca de 85% das vendas, de uma produção que, entretanto, cresceu com a plantação de novas vinhas das 900 garrafas originais para cerca de 40 mil.
“Estamos em grandes cidades, onde há claramente muito mais procura para este perfil de vinhos naturais, que não podem provar em mais nenhum lugar no mundo”, sublinha Rodrigo Martins. É, por isso, nos grandes palcos que os vinhos de Rodrigo Martins e Ana Leal mais brilham, grandes cidades como Nova Iorque, Tóquio, Londres, Paris. “Há muita gente, mesmo gerações mais novas, que têm uma preocupação muito maior por produtos mais sustentáveis, por produtos mais orgânicos, vinhos com menos álcool, e os nossos vinhos são tudo isto”, acrescenta Ana Leal.
Às primeiras vinhas plantadas em Montes, Alcobaça, somaram-se outras parcelas que já totalizam 10 hectares, cinco em Alcobaça e outros cinco em Óbidos. Quando as últimas vinhas plantadas começarem a dar fruto, a produção da Espera Wines deverá atingir entre as 60 mil e as 70 mil garrafas.
A empresa também passou de uma pequena garagem para as antigas instalações dos Vinhos Benigno, no Campo, e o objetivo é construir instalações próprias em Óbidos, terra natal de Rodrigo Martins. ■