Estaleiros Navais de Peniche procuram sobreviver ao naufrágio da insolvência

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A estratégia passa por recentrar a actividade na construção e reparação naval | Carlos Cipriano

Empresa está em Processo Especial de Revitalização (PER) e procura negociar com os credores a redução das dívidas, que ascendem a 18 milhões de euros.

O futuro passa por reorientar a estratégia para a construção e reparação naval em vez da construção de plataformas para explorações de gás e petróleo, que nunca chegou a avançar devido à quebra dos preços do petróleo e à queda do mercado angolano.
Os Estaleiros Navais de Peniche foram comprados em Novembro de 2014 pelo grupo AMAL (55% do capital) e pela Oxycapital (45%) que assumiram o seu passivo (à data de 14 milhões) e anunciaram um investimento de 15 milhões de euros em cinco anos que iria criar cerca de 300 postos de trabalho.
O objectivo era aproveitar o alvará dos estaleiros (que se encontram numa zona concessionada pela Docapesca para esse efeito no porto de Peniche) e acrescentar à construção e reparação naval a construção de plataformas para exploração de petróleo e de gás, que era precisamente a actividade principal do grupo AMAL – Construções Metálicas, SA.
A descida dos preços do petróleo e a queda do mercado angolano trocou as voltas a estas expectativas. As encomendas não se concretizaram e a própria accionista AMAL está também em Processo Especial de Revitalização. Hoje, em vez dos 110 trabalhadores de 2013 e dos 60 trabalhadores de 2014, os estaleiros têm pouco mais de 30.
Aquando da compra dos estaleiros, a Oxy adquiriu a dívida bancária da empresa, no valor de 9 milhões de euros, e a AMAL ficou responsável pelas dívidas ao Estado (1,5 milhões), aos trabalhadores (800 mil euros) e aos fornecedores (2 milhões de euros). Hoje, porém, o passivo soma 18 milhões de euros.
Durante esta semana esperava-se que os Estaleiros Navais de Peniche chegassem a um acordo com os credores para evitar a insolvência, na sequência de um Processo Especial de Revitalização (PER) que deu entrada em tribunal em Março passado.
Segundo um fonte da administração, os estaleiros são viáveis e têm futuro devendo recentrar a sua actividade na construção e reparação de embarcações em fibra até 30 metros, havendo encomendas já assinadas para barcos de pesca para Angola e outras negociadas para outros países africanos.
Mas para isso, os estaleiros precisam de financiamento e de linhas de crédito, o que só será possível após negociação com os credores. A mesma fonte disse ainda que estava a contar com a entrada de um novo accionista.
O plano de reestrutuação prevê que a empresa labore com apenas 30 trabalhadores no quadro, que serão os que estão ligados à engenharia,  fibra e back office, devendo recorrer ao outsoursing de acordo com as encomendas a satisfazer.
Além do mercado africano, é convicção da administração que haverá também procura em Portugal para a construção de ferrys, lanchas, barcos patrulha e de pesca até 30 metros. Não despiciendo é a colaboração dos estaleiros no projecto Wave Roller que consiste em construir módulos destinados a plataformas submergíveis para aproveitar a energia das correntes marítimas. Depois de um primeiro módulo que está a funcionar numa praia de Peniche, já há um financiamento de dez milhões de euros (ao abrigo do mecanismo InoovFin – EU Financie Innovators) para uma segunda estrutura que deverá também ser construída nos estaleiros penichenses.