Estudo para valorizar subprodutos da maçã com resultados positivos

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Responsáveis pelo Proenergy na visita à unidade piloto de produção de biogás

Produção de biogás e desenvolvimento de novos produtos com bons indicadores

O Grupo Operacional Proenergy, criado para valorizar subprodutos da fileira da maçã, promovido pela Maçã de Alcobaça, apresentou no passado dia 5 de julho resultados “promissores” no desenvolvimento de novos produtos e na produção de biogás.
O estudo, desenvolvido pela Universidade de Lisboa, o Instituto Superior de Agronomia e o INIAV em parceria com a APMA e as empresas Campotec, Cooperfrutas, Frubaça e Granfer, foi elaborado de modo a encontrar forma de valorizar fruta que não atinge calibre mas que ainda tem valor nutritivo (que corresponde a cerca de 10% da produção), assim como de subprodutos resultantes, por exemplo, da transformação em sumo, assim como outro material biológico que não tem atualmente qualquer tipo de aproveitamento.
“É material com elevado teor de matéria orgânica e contaminação microbiológica, que precisa de ser rapidamente eliminado de acordo com os sistemas de gestão de qualidade, o que acarreta implicações ambientais e económicas de elevado impacto”, explicou Margarida Moldão, coordenadora do Proenergy. Com este estudo, pretendeu-se transformar o que é, atualmente, um custo para os produtores, em receita.
O grupo operacional focou-se em duas vias principais: a criação de novos produtos alimentares a partir de subprodutos e avaliar o potencial da conversão dos bioresíduos em biogás. E obteve resultados interessantes.
Margarida Moldão apresentou três tipos de transformação para os subprodutos que têm valor nutritivo e podem ser reaproveitados para a alimentação, nomeadamente polpas que juntam a fruta, sempre com a maçã com protagonista, com hortícolas que acrescentam funcionalidade a estes produtos. Além das polpas, estão ainda a ser desenvolvidas bebidas fermentadas não alcoólicas.
Através da desidratação, o programa desenvolveu a produção de farinha de maçã, que pode ser adicionada a bolos, iogurtes ou ao leite para adicionar sabor e aroma, sem necessidade de adição de açúcar. Uma farinha composta a 50% por fibra.
Uma outra aplicação para estes subprodutos é o fabrico filmes orgânicos para a indústria das embalagens e revestimentos comestíveis, que apresentou melhores índices na conservação de carne através da oxidação e desenvolvimento microbiano do que o próprio plástico.
Já o potencial de conversão dos bioresíduos, conjugados com resíduos da produção suinícola na produção de biogás, o projeto piloto mostrou um potencial de 2 a 3 KWh por quilo de produto, o que seria suficiente para carregar, por exemplo, um telemóvel.
Elizabeth Duarte, que coordenou o estudo da produção de biogás, disse que em balanço que os processos desenvolvidos podem ter “um papel promissor” nas estratégias de gestão de bioresíduos das unidades de produção e também na sua reconversão energética. ■