“O crédito só é bom para a economia do país se for crédito responsável”

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Paulo Cavaleiro trabalha no Montepio há 29 anos | D.R.

Paulo Cavaleiro
Gerente do Banco Montepio

 

Há quantos anos trabalha neste banco?
Há 29 anos.

Do que mais gosta na sua actividade profissional?
Criar soluções para as necessidades dos clientes, sejam elas ao nível das aplicações financeiras, do crédito, ou na área dos serviços, reconhecidas como simples e eficientes.

O Banco de Portugal já recomendou maior prudência na concessão de crédito. Como é que essa recomendação tem sido veiculada nos balcões, junto dos clientes, em especial às pequenas empresas locais?
O Banco Montepio tem aplicado regras mais apertadas que a generalidade dos players do mercado no que toca concessão de crédito, pelo que as últimas recomendações do Banco de Portugal já eram seguidas. A preocupação tem sido a de financiar bons projetos que demonstrem sustentabilidade, sejam eles das famílias ou das empresas, com crédito em quantidade moderada, o que implica invariavelmente a aplicação de capitais próprios. Em Portugal os bancos têm um papel fundamental no financiamento das empresas, mas o crédito só é bom para a economia do país se for crédito responsável.

Com juros muito baixos nos depósitos, que produtos de poupança são sugeridos aos clientes?
Vivemos circunstâncias extraordinárias ao nível das taxas de juro, o que influencia diretamente as taxas dos depósitos. Temos de partir sempre da maior ou menor tolerância ao risco do cliente enquanto investidor, para lhe apresentar as melhores e mais adequadas alternativas. Rendibilidades mais elevadas significam um maior risco, pelo que os clientes avessos ao risco continuam a privilegiar os depósitos a prazo. Dentro dessas alternativas temos ofertas muito interessantes como os fundos de investimento, alguns reconhecidos como sendo os melhores a serem comercializados em Portugal. O Banco Montepio sempre privilegiou a poupança dos portugueses, remunerando os seus depósitos com taxas acima da média.

“Ao contrário do resto da Banca, não temos onerado os nossos clientes com o aumento de comissões”

O tecido empresarial das Caldas da Rainha é estimulante para a banca?
Por comparação com outros mercados próximos, de maior dimensão e dinamismo, o tecido empresarial das Caldas da Rainha é, também ele, estimulante para o setor bancário. De assinalar o surgimento de uma nova geração de empresários e projetos de investimento, em diversas áreas de atividade, pelo que estou convicto de que os próximos tempos serão ainda mais estimulantes. O Banco Montepio, com dois Balcões em locais estratégicos da cidade (Praça da Fruta e Expoeste), tem bons clientes empresariais neste mercado e está a trabalhar para fortalecer ainda mais a carteira, seja pela captação de novos clientes, seja pelo incremento do nível de fidelização e posicionamento como 1.º banco das empresas.

As comissões estão a aumentar. É esta a nova forma de obter receitas dos bancos? Não teme uma perda de clientes, especialmente mais novos, para a nova concorrência digital?
O Banco Montepio, ao contrário do resto da Banca, não tem onerado os seus clientes com o aumento de comissões e continua a oferecer-lhe mais e melhor serviço, com otimização e modernização da experiência e da relação que o cliente tem com o seu Banco. E isso é válido em qualquer um dos canais – seja no balcão, no site ou na app.
Apesar dos seus 175 anos, o Banco Montepio tem uma oferta bastante competitiva também nos canais digitais. E isso é atrativo para todos os tipos de clientes – mais novos ou mais velhos, particulares ou empresas. O cliente é que escolhe o canal que prefere para se relacionar connosco, e pode usar diferentes canais de acordo com a necessidade, tendo sempre a garantia de que oferecemos um serviço de qualidade e excelência.

Como imagina um balcão de um banco dentro de 10 anos?
Serão balcões muito mais tecnológicos, de modo a simplificar e agilizar a experiência do cliente, e a serem capazes de resolver – e até antecipar – todas as necessidades do cliente. Nesse novo contexto, o balcão será só mais um canal em perfeita complementaridade com os outros canais digitais, mas que é muito valorizado pelos nossos clientes.
Toda a comunicação no balcão será feita em suportes digitais, com imagem em movimento, de modo a garantir que o cliente tem uma experiência imersiva da marca.