Pomares do Oeste com menos Pera Rocha na colheita deste ano

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Colheita deverá sofrer uma quebra a rondar os 30% em relação ao ano passado. Altas temperaturas e seca severa agravaram ainda mais os problemas dos fruticultores da região

Dentro de três semanas deverá começar a colheita de Pera Rocha nos pomares do Oeste, mas uma coisa é certa: a campanha ficará marcada por uma acentuada redução de produção.
Depois de uma excelente campanha no ano passado, em que foram colhidas cerca de 220 mil toneladas deste fruto, os cálculos mais recentes da Associação Nacional dos Produtores de Pera Rocha (ANP) apontam para um máximo de 160 mil toneladas.
Apesar de já ser esperada uma quebra na colheita deste ano, depois de um bom ano, a situação climatérica veio agravar mais a situação, face à seca e ao tempo excecionalmente quente que se fez sentir no início do mês, que provou o ‘escaldão’ em muitas peras e que ficaram por isso queimadas.
Por outro lado, as altas temperaturas nalguns dias prejudicaram o desenvolvimento da fruta, porque as pereiras, para se ‘protegerem’, quase que pararam o crescimento da pera porque entraram em ‘stress’. Os fruticultores com pomares que apenas dependem da água da chuva estão numa situação muito mais aflitiva que nos restantes que estão dotados com rega, porque não há reservas de água no solo. É a seca severa que atinge o país e que também está a causar graves prejuízos na nossa região.
Segundo referiu à Gazeta o presidente da ANP, apesar destes constrangimentos “não está em causa a qualidade da fruta, que vai ter bastante sabor”. Contudo, o calibre da pera deverá ser em média mais pequeno que no ano passado nos cerca de 11 mil hectares de pomares do Oeste. “Ainda é difícil fazer, com rigor, uma estimativa da produção deste ano, mas temo que vai ser inferior ao que neste momento está previsto”, sublinhou Domingos Santos.
Uma outra dor de cabeça que os fruticultores terão de enfrentar é o preço da fruta no final da campanha. Os custos associados à produção tiveram um aumento de grande dimensão, que terá forçosamente que ser refletido nas vendas.
Eletricidade, gasóleo agrícola, produtos fitossanitários e adubos, a par das embalagens de plástico, de cartão e madeira, registaram valores exageradamente elevados, que colocam fruticultores e centrais fruteiras em estado de alerta. Um problema que já vem do ano passado, com o agravamento da pandemia e que piorou este ano com a guerra na Ucrânia e com a subida da inflação.
Domingos Santos destaca que “exportar hoje significa o dobro do custo de há um ano”, pelo que “forçosamente terá de haver um aumento do preço de venda da fruta, nunca menos de 30%, porque senão muitas empresas não vão aguentar”. Daí que lance o apelo às empresas de distribuição, para que tenham “bom senso” no negócio.
Outro problema que continua a persistir para os fruticultores é a contratação sazonal de pessoas para fazerem as colheitas. “Cada vez é mais difícil encontrar mão de obra”, lamenta o presidente da ANP. Estando o país com taxas de desemprego muito baixas, é quase possível “considerar que existe pleno-emprego”, pelo que o dirigente associativo destaca que “há sempre carência” de trabalhadores para a agricultura. Daí que os empresários agrícolas tenham que recorrer ao recrutamento no estrangeiro, mas “a carga burocrática e o tempo que demora a emissão dos vistos aos trabalhadores imigrantes, é qualquer coisa de surreal”.
Na maior parte das vezes, quando o SEF (Serviço de Estrangeiros e Fronteiras) emite a autorização de residência temporária no país, “já decorreram as colheitas e, por vezes, só dois a três meses depois é que são concedidos os vistos”. “Temo que nesta campanha o problema vai continuar a persistir”, lamenta.
Sobre esta temática, a ANP recorda que há promessas do Governo para encurtar os prazos na concessão dos vistos, mas “na prática não corresponde esta vontade à realidade no terreno”. É alegada a falta de pessoal nos serviços consulares para a concretização desta medida política, nomeadamente na Índia. “A falta de recursos do Estado é a desculpa para impedir as empresas de desenvolverem as suas atividades”, criticou Domingos Santos.
Sediada na Sobrena, no concelho do Cadaval, e com cerca de três dezenas de associados, a ANP representa cerca de 90% da produção da pera rocha. É também a entidade gestora da Denominação de Origem Controlada ‘Pera Rocha do Oeste’, promovendo a venda do fruto no território nacional e também nos mercados internacionais, para onde vai mais de 60% da produção. “É a campeã da fruta portuguesa no que toca às exportações”, garante a entidade. ■