Soluções para habitação tentam contrariar dificuldades

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A Assembleia da República voltou a aprovar o pacote de medidas “Mais Habitação”, para ajudar as famílias. Também nas Caldas as dificuldades em arranjar, e manter, casa são um problema para muitos.

Há mais procura do que oferta no mercado da habitação e as Caldas não é excepção. A subida dos juros e das rendas tem trazido dificuldades acrescidas às famílias. Para tentar atenuar o problema, a Câmara das Caldas pretende investir cerca de 2,7 milhões no âmbito do programa 1º Direito, para apoio a pessoas em condições habitacionais indignas e que não dispõem de capacidade financeira para suportar as obras nas suas casas. Este montante, em que 1,3 milhões são apoio a fundo perdido, 1,3 milhões resultam de empréstimo e o restante será garantido pela autarquia, permitirá a aquisição de alguns imóveis e também intervenções de reabilitação. Para além disso, o atual executivo, que estabeleceu a habitação como uma das prioridades do mandato, está a trabalhar com o Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU), em soluções para a oferta de habitação a custos acessíveis.
De acordo com o presidente da Câmara, Vítor Marques, aquele organismo irá avançar, embora ainda não haja uma calendarização, com a construção de um conjunto de casas geminadas, no Bairro Social (Tornada), com o objetivo de criar mais habitação social, a preços acessíveis. Estão também a ser estudadas outras possibilidades de investimento, com o apoio financeiro do IHRU, em terrenos municipais. “Já identificámos dois que possuem as características necessárias e iremos candidatá-los”, disse o autarca, acrescentando que estão também a avaliar as tipologias de construção, que podem passar pela construção tradicional, mas também por módulos, tendo em conta que há empresas no concelho que se dedicam a essa área.
Está igualmente a ser avaliada a possibilidade de reconstrução de algumas casas antigas, propriedade do município, em duas freguesias, cujo objetivo era colocá-las também para arrendamento, explicou o autarca à Gazeta das Caldas.
O antigo Lar das Enfermeiras, juntamente com dois edifícios contínuos, situados no Largo Conselheiro José Filipe, vai ser reabilitado e dará lugar a um edifício destinado à habitação jovem a custos acessíveis. O objetivo é que possam ser criadas cerca de duas dezenas de apartamentos, de tipologia T1. O estudo prévio já está finalizado e a autarquia prevê passar agora para a contratualização do projeto. No entanto, e de acordo com Vítor Marques, este precisará de um conjunto de pareceres e autorizações, nomeadamente de entidades ligadas ao património, por se encontrar muito próximo da Igreja de Nossa Senhora do Pópulo, um monumento classificado. Também destinado aos mais jovens, que querem permanecer a viver nas freguesias, há o loteamento para habitação jovem, mas que “não tem tido tanto sucesso como gostaríamos”, reconhece o autarca. Nos últimos dois anos foram vendidos quatro lotes para os jovens poderem fazer a sua habitação e a Câmara está agora a ponderar criar um loteamento noutro local, “que permita a construção com condições mais vantajosas”.
A dificuldade, por parte dos estudantes, em encontrar casas para arrendar na cidade também é uma preocupação, reconhece o autarca, fazendo notar que foi aprovada, em PRR, a candidatura para construção de mais uma residência de estudantes, do IPL, e a reabilitação das outras já existentes na cidade.
Para a primeira quinzena de outubro está prevista uma reunião com o IHRU, para definição do trabalho a concretizar, explicou Vítor Marques.

Crise diferente de 2011
Norberto Isidro, mediador imobiliário da Remax, confirma o cenário. “O mercado pós-covid tem tornado cada vez mais difícil a obtenção de casa”. Por um lado, “as rendas aumentaram bastante devido à pouca oferta e muita procura, com subidas de 40 a 50%”, por outro lado, havia muitas casas que estavam arrendadas e que, devido à procura para compra, foram retiradas desse circuito. Depois, “60 a 70% dos arrendamentos no último ano são feitos a pessoas não portuguesas”.
Acresce que, com o juro a 0%, muita gente decidiu comprar, mas no último ano e meio a subida da taxa de juros criou dificuldades. “Se me dissessem que em três anos ia subir 3,5% já era mau, subir 3,5% num ano é um choque, é tremendo”.
Nesta fase, sente que “o mercado está em adaptação” e conta que está a haver muita renegociação de créditos. “Nós temos um departamento para esse efeito e temos, todas as semanas, cerca de dez clientes a pedir ajuda”.
Admitindo que se vive um cenário de crise, sente ainda assim que é uma crise diferente da de 2011. “Na altura não havia trabalho, neste momento as pessoas têm trabalho, não há é muita oferta de habitação”. As medidas do governo, considera, a terem efeito, só se sentirá a médio/longo prazo e critica o elevado tempo que os serviços demoram.
Relativamente ao elevado número de casas fechadas na cidade, o mediador imobiliário considera que se deve principalmente ao facto de ser uma cidade com forte emigração, na qual os emigrantes investiram, mas que depois não sentem confiança no mercado de arrendamento. Por outro lado, é uma cidade com muita segunda habitação. Um terceiro factor foi o imobiliário ter sido um dos principais meios de investimento nos últimos anos.
Na sua opinião, o futuro da habitação são habitações coletivas, “como já existe noutros países da Europa”, em que um grande espaço amplo pode ser transformado, por exemplo, em 40 T0. A transformação de escritórios e lojas em habitações também poderá contribuir, mas aí é, uma vez mais, precisa a colaboração das entidades ao agilizar processos.■