Surfoz cumpriu 30 anos, mas continua a estar na “crista da onda”

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Orlando Rodrigues criou uma das primeiras surfshops do país há 30 anos

Loja de Orlando Rodrigues continua a ser uma referência para os surfistas e skaters nas Caldas

Foi a 2 de maio de 1993 que Orlando Rodrigues abriu a Surfoz, uma das primeiras surfshops do país e que ainda hoje se mantém como uma referência para os praticantes de surf e de skate nas Caldas da Rainha e na região.
“Foi um negócio que nasceu da paixão”, lembra Orlando Rodrigues, que nessa altura aliou o gosto pelo surf a uma oportunidade de negócio. “Tinha uma ligação muito grande ao mar e, na altura, houve o desafio de, como tinha o espaço, porque não abrir uma loja”, lembra o lojista.
Ao fim de 30 anos, hoje Orlando Rodrigues dedica-se mais à loja e menos ao surf, o que conta com alguma nostalgia. “Um amigo até me disse que tinha saudades de vir à loja e encontrar um “volto já”, era sinal que tinha ido surfar. Agora não tenho tanto isso, porque há a obrigação de ter a loja aberta, mas também este é o sítio onde me sinto bem e que também é um refúgio”, conta.
Quando abriu, a icónica Surfoz criou um mercado que não existia. “Conheço outra loja que tinha aberto um ano antes, a Bana, fomos os dois os primeiros. Pode haver hoje lojas mais antigas, mas que começaram noutros segmentos, nós nunca vendemos nada que não seja ligado ao surf e ao skate, é aqui que estão as nossas raízes” conta.
A loja original era perto do skate parque e, com ela, cresceram as comunidades, e várias gerações, de surfistas e de skaters. “É muito giro, os meus colegas têm filhos e continuam a vir cá, tenho várias gerações de clientes e eu, com 54 anos, acabo por lidar com miúdos de 12 e parece que não há diferença de idade, e é o trabalho que mais gosto de fazer”, diz Orlando Rodrigues, que continua a acompanhar e a apoiar a prática destes desportos.
Essa tem sido uma missão da Surfoz, que no seu trajeto esteve sempre muito ligada à formação e ao apoio aos jovens, quer na iniciação, quer em competição, e assim continua. “Continua a haver muita procura nas faixas etárias mais novas por estas modalidades. Continuo a apoiar a escolinha de surf do Jomi Galeão e do João Curado e temos uma escolinha de skate a começar. Cada vez há mais encontros e a comunidade continua a crescer muito”, assinala Orlando Rodrigues. “Mas hoje a oferta é tão grande que isso depois não se reflete muito no negócio da loja”, acrescenta, porque, sobretudo quando os jovens estão a começar, o que se procura são gamas de preços mais baixos.
De resto, o negócio alterou-se, principalmente, nos últimos 8 a 10 anos. A grande aposta no turismo de surf levou as grandes marcas do setor a apostar na abertura de lojas em centros comerciais e nos centros do surf, como Peniche, Ericeira, ou Matosinhos, ao que se juntou o advento do comércio online, aumentando a concorrência. Mas o turismo também trouxe mais clientes de impulso à loja, que antes não tinha tanto.
O que essas lojas, mais viradas para um consumo mais massificado, não oferecem é o conhecimento, sobretudo o nível do material mais técnico, que só se encontra nestas lojas com mais história e experiência. “Acontece pessoas comprarem coisas nessas lojas e depois vêm aqui para montar, por exemplo skates. Lá as pessoas pedem coisas específicas e quem está a vender não sabe o que são. Enquanto aqui é essa parte que eu mais gosto, a parte do material mais técnico, que dá trabalho”, refere.
Orlando Rodrigues diz que responde também ao aumento da concorrência com mais marcas portuguesas e acredita que a Surfoz continua a ter futuro. “Continuamos a ter um bom mercado e penso que as coisas tendem a melhorar”, acredita. ■