Visabeira investe sete milhões de euros na ampliação da fábrica Bordallo Pinheiro

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Nuno Barra, administrador do Grupo Visabeira, e Tiago Mendes, director da Bordallo Pinheiro | Joel Ribeiro

A fábrica da Bordallo Pinheiro na Zona Industrial das Caldas da Rainha vai ser alvo de um investimento de sete milhões de euros para a sua ampliação. Será criada uma nova área produtiva com cerca de três mil metros quadrados, que receberá novo equipamento, como fornos cerâmicos, que vão modernizar a produção, sem no entanto perder o cariz artesanal que a caracteriza.
A empresa não pára de crescer desde 2009, quando foi adquirida pelo grupo de Viseu. Este ano o volume de negócios pode ultrapassar os seis milhões de euros.

 

 

A fábrica da Bordallo Pinheiro vai ser alvo de obras de ampliação que deverão iniciar-se este Verão. A unidade fabril vai crescer em cerca de três mil metros quadrados em área. Será também criada uma nova configuração das áreas de trabalho para melhor as ajustar às necessidades de cada secção, sobretudo ao nível da pintura e da ornamentação.
O projecto contempla igualmente a modernização da unidade, com novo equipamento. “A fábrica não passou da segunda guerra mundial e estamos a prepará-la para outros níveis, algo que sentimos que é necessário e que o mercado exige”, sublinha Tiago Mendes director da Bordallo Pinheiro.
Parte desse equipamento serão novos fornos cerâmicos que vão permitir uma poupança na factura energética, uma despesa que neste sector representa 30% do total dos custos. “É uma poupança importante para a sustentabilidade da empresa, que neste momento está na linha de água, e estamos a potenciá-la para ter rentabilidade”, destaca o director da fábrica.
O investimento é suportado pelo Grupo Visabeira e será superior aos sete milhões de euros. “É um esforço que o grupo está a fazer para preparar a fábrica não no horizonte de 5 ou 10 anos, mas muito além disso”, sustenta.
A modernização não significa, porém, que a Bordallo Pinheiro vá perder o seu cariz artesanal. “Nunca iremos deixar de pôr nas peças aquele que é o maior valor: o trabalho manual”, garante Tiago Mendes. O que vai melhorar é o ciclo de produção e a produtividade.
O director da empresa sublinha que “as máquinas não vão substituir pessoas”. De resto, a empresa tem vindo a recrutar. Iniciou 2017 com 200 postos de trabalho e durante os primeiros seis meses o número já aumentou 10%. O objectivo é atingir os 250 colaboradores após o processo de ampliação.
O projecto vai ser comparticipado por fundos comunitários através do programa Compete 2020. A comparticipação depende, no entanto, do atingir de vários objectivos, como o aumento da quota de mercado externo, o reforço da estrutura e a sua formação e também a eficiência energética.
O desenvolvimento desta candidatura foi um trabalho de seis meses praticamente a tempo inteiro da equipa técnica da Bordallo Pinheiro. “Era necessário inovar e conseguimos encontrar algo que não é feito na cerâmica noutro local do mundo e que tem a ver com a eficiência energética”, adianta Tiago Mendes.

Facturção de 5 milhões em 2016

A ampliação da fábrica da Bordallo Pinheiro advém do crescimento que a empresa tem tido desde que foi adquirida pelo Grupo Visabeira, em 2009.
“A Bordallo Pinheiro tem crescido muito nos últimos anos, já não consegue dar resposta à procura e antevê-se que no futuro esta continue a aumentar, pelo que estamos a prepará-la para ter maior capacidade de resposta”, disse Nuno Barra, administrador do Grupo Visabeira, à Gazeta das Caldas.
Nesse ano de 2009 a empresa tinha um volume de negócios de 900 mil euros e atravessava uma grave crise. Em 2016 as vendas atingiram os 5 milhões de euros, segundo o relatório e contas do Grupo Visabeira, com um crescimento médio de 20% nos últimos dois anos. No primeiro trimestre de 2017 teve um crescimento no período homólogo de 22%. Segundo o mesmo documento, o resultado operacional em 2016 foi de 437 mil euros.
Nuno Barra considera que definir um rumo estratégico foi fundamental para recuperar a empresa. Esta passou por uma aposta clara na marca Bordallo Pinheiro e também nos mercados externos. Com a presença nas grandes feiras internacionais a marca “deu-se a conhecer a muitos mercados em que não era conhecida e começou a vender em países onde não vendia, como Itália e Coreia do Sul, por exemplo”, revela o administrador.
Se em 2009 o mercado externo era residual, hoje, e apesar da procura interna ter continuado sempre em alta, as exportações já representam perto de 50% das vendas. Itália, Espanha, Coreia do Sul, Brasil e Estados Unidos da América são os principais mercados de destino.
A promoção da marca em diferentes meios tem sido uma estratégia declarada do grupo económico com sede em Viseu para a empresa caldense. Se o circuito principal dessa divulgação é o da arte e cultura, outros mercados têm sido explorados, como é o caso da presença em eventos desportivos. A marca foi publicitada, por exemplo, no último jogo de futebol entre o Sporting e o Benfica. A presença nas redes sociais também tem sido “uma via importante para a marca se dar a conhecer a um público mais jovem”, acrescenta Nuno Barra.
O responsável diz que ainda há caminho por percorrer para tornar a empresa caldense sustentável pois “não está ainda tudo recuperado”. No entanto, destaca o envolvimento dos colaboradores em todo este processo de revitalização da empresa. “A vantagem que a fábrica tem é que as pessoas entregam-se com muito amor à camisola e entregaram-se na sua recuperação”, sublinha.

CAPITAL HUMANO É O MAIS IMPORTANTE

Tiago Mendes reforça esta ideia. Se os recursos humanos significam a maior parte da despesa da Bordallo Pinheiro, por outro lado é também um dos seus principais activos. “Estamos a trabalhar numa cerâmica muito ligada ao trabalho manual, à sabedoria, ao conhecimento das técnicas centenárias que usamos e que se vão manter”.
São também os trabalhadores que estão na empresa há mais tempo que ajudam os mais novos na passagem desse conhecimento, porque a formação é uma das principais dificuldades quando a empresa precisa de recrutar.
A Bordallo Pinheiro tem reforçado a sua equipa, sobretudo em sectores fundamentais da fábrica e nos quais o trabalho manual tem maior expressão. “O acabamento das peças e a pintura foi onde mais apostámos e os mais velhos têm sido fundamentais para acolher os mais novos”, diz Tiago Mendes.