Municípios investem milhares para permitir ensino à distância

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Os municipios queixam-se do atraso na entrega dos equipamentos informáticos por parte do ministério da Educação

As Câmaras do Oeste já adquiriram mais de um milhar de computadores e tablets, bem como acessos à internet, para garantir o ensino à distância. O investimento é superior a 250 mil euros

Os municípios da região investiram mais de 250 mil euros para garantir condições de acesso de alunos que necessitavam de equipamentos para acompanharem o ensino à distância em período de confinamento.

A resposta tem sido dada através da compra de equipamentos e empréstimo às escolas para alunos mais carenciados

A Câmara das Caldas adquiriu e distribuiu equipamentos informáticos e ligações à internet que cedeu aos agrupamentos de escolas para serem entregues aos alunos. Estes equipamentos foram retomados pelas escolas em julho de 2020, pelo que este mês puderam voltar a ser entregues. Ao todo, foram distribuídos 315 tablets aos alunos do 1º ciclo, 140 computadores aos do 2º ciclo e mais 155 aos do 3º ciclo, secundário e ensino profissional. Foram, ainda, adquiridos 186 hotspots com comunicações para três meses no ano letivo de 2019/20 e foram novamente contratualizados serviços para os meses de fevereiro, março e abril deste ano. Ao todo, a autarquia caldense gastou 125.775€ nestes recursos, sendo que este ano o investimento reporta-se, sobretudo, à nova contratualização de serviços de banda larga e mensalidades de tráfego de internet.

Contudo, foram disponibilizados mais recursos neste novo período de ensino à distância do que no ano letivo passado, pois a Câmara tinha equipamentos não utilizados em armazém.
Por parte do Ministério da Educação apenas chegaram recursos tecnológicos para alunos subsidiados de escalão A e B do ensino secundário.
“A cobertura de rede das operadoras de comunicações não é ainda total no concelho”, reconhece a autarquia, acrescentando que é preciso mais do que a existência de recursos tecnológicos para garantir o acesso ao ensino à distância.
Por seu turno, desde o início da pandemia a Câmara de Óbidos adquiriu 99 computadores, 21 tablets e 83 routers, que entregou ao agrupamento de escolas. Já foi feito um investimento na ordem dos 70 mil euros e estão encomendados mais 74 equipamentos, num valor de 42 mil €. Também chegaram às escolas do concelho, através do Ministério, 54 kits (que incluem um computador portátil, auscultadores com microfone, uma mochila, um hotspot e um cartão SIM para ligação à rede móvel) para os alunos do secundário abrangidos pelo apoio social. Por receber estão 361 kits destinados aos alunos com menos recursos que frequentam o 1º, 2º e 3º ciclos. Houve também doações, por parte de encarregados de educação e as associações de pais voltaram a pedir a colaboração da população neste segundo confinamento.

O investimento das autarquias da região em recursos tecnológicos é superior a 250 mil euros

No Cadaval, a autarquia adquiriu 173 tablets, que entregou ao agrupamento de escolas que, por sua vez, os fez chegar aos alunos mais necessitados. O apoio incluiu também a aquisição de 205 acessos de internet, traduzindo-se num investimento de 34 mil euros.
A vice-presidente da câmara, Fátima Paz, reconhece que ainda há vários alunos sem computador ou tablet ou que partilham estes equipamentos com irmãos ou os pais e acusa o Ministério da Edução de não ter cumprido a sua promessa atempadamente.
Já a Câmara do Bombarral adquiriu 148 tabletes, que entregou ao Agrupamento de Escolas Fernão do Pó e contratou 98 serviços de ligação à internet no primeiro confinamento, dos quais foram reativados 35 cartões nesta fase. Um investimento próximo dos 23 mil € no primeiro confinamento, a que se juntam 1.162 € para reativação de cartões. Está prevista, ainda, a compra de mais 20 tablets que, juntamente com os equipamentos disponibilizados pelo Ministério da Educação aos alunos dos 10º, 11º e 12º anos no confinamento atual, garantem que todos os alunos têm acesso ao ensino à distância.
Na Nazaré foram recebidos apenas 22 computadores através do Ministério da Educação, que não chegaram para cobrir os escalões A e B do ensino secundário, de acordo com os dados do diretor do Agrupamento de Escolas. Tendo em conta que a escola tem 412 alunos dos escalões A e B (desde o 1º ciclo ao ensino secundário) que, em princípio, terão direito aos computadores, ainda faltam 390 computadores. Para minorar a situação, desde início da pandemia, a Câmara já adquiriu 35 computadores e 20 soluções de internet, num investimento total superior a 13.500 €. Para além disso, foram angariados seis computadores no âmbito da campanha de recolha de equipamentos informáticos usados destinados a reforçar as ferramentas de apoio ao estudo dos alunos do Agrupamento de Escolas durante a pandemia.
Contactadas pela Gazeta, as Câmaras de Alcobaça e Peniche não responderam em tempo útil. ■