A Câmara das Caldas e o aumento do preço da água

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Permitam-me que alerte para um assunto que me parece merecedor da atenção de todos e que se refere ao aumento do preço da água que, como é facílimo de comprovar, pode em certos casos chegar aos 50%.
A Câmara, que o decidiu, e os partidos que se dizem de “oposição”, não viram, não quiseram ver – ou aceitaram da maneira mais irresponsável – que as famílias do concelho de Caldas da Rainha seriam pesadamente penalizadas com os aumentos, chegando a tentar fazer de conta que eles nem se fariam notar.
Mas não é o caso.
Basta aliás comparar – e qualquer pessoa o pode fazer – as facturas anteriores dos Serviços Municipalizados com a factura emitida já para este mês com os novos preços. É muito simples e será útil exemplificar.
Se pensarmos num consumo mensal de 10 metros cúbicos (fácil de atingir numa família de duas pessoas e quase inevitável com três e mais membros, num agregado familiar com filhos, por exemplo), chegamos às seguintes conclusões:
– Com os preços anteriores, o consumidor que gastasse 10 metros cúbicos pagaria três metros cúbicos a 0,38 euros e os restantes sete a 0,56 euros. Ou seja, respectivamente, 1,14 euros e 3,92 euros. Além desse valor seria aplicado à conta para “serviços diversos” uma tarifa de 0,35 euros para os 10 metros cúbicos, o que daria 3,50 euros. No total (e sem a taxa mensal de 2 euros para “conta tra. esgotos” e o IVA), o consumidor pagaria 8,56 euros.
– Com os novos preços, o consumidor que gaste 10 metros cúbicos pagará 5 metros cúbicos a 0,53 euros e os outros cinco metros cúbicos a 0,96 euros. O que dá, respectivamente, 2,65 euros e 4,80 euros. A tarifa dos “serviços diversos” passa (segundo informações directas dos serviços) a abranger só 90 por cento da quantidade de água consumida mas subiu para mais do dobro, dos 0,35 euros anteriores para 0,85 euros. O que dá, para os 10 metros cúbicos do exemplo, um valor de 7,65 euros.
Ou seja, quem consumisse 10 metros cúbicos aos preços anteriores, pagaria 8,56 euros. Mas agora passa a pagar 15,16 euros. Quase o dobro.
Mas a conta não fica por aqui porque ainda é necessário pagar 2 euros por mês para o “trat. esgotos”, verba que não se vê ser efectivamente aplicada, e o IVA.Poderão os ilustres autarcas argumentar que nem sabem quem gasta o quê, atendendo a que os aumentos só (mas em parte!) não afectam directamente quem consumir até três metros cúbicos de água por mês, imaginando que no concelho só existem agregados familiares de uma e duas pessoas. Mas não é o caso. Basta andar por aí para o perceber.
Perante isto, é pura e simples demagogia o senhor presidente da Câmara garantir que até ajuda as famílias no IRS. Que interessa isso, perante este aumento brutal dos preços da água? Até porque há quem – com baixos rendimentos – não pague IRS ou pague menos… mas que não pode deixar de usar água. Para beber, para cozinhar, para se lavar, para limpar. Para tudo o que faz parte da vida.
A Câmara está a tempo, e devia ter essa hombridade, de corrigir esta situação. Tal como os partidos representados nos órgãos autárquicos que aprovaram os aumentos sem problemas de consciência. Se não o fizerem, é bom que todos nos lembremos das responsabilidades de cada um nas eleições autárquicas do próximo ano.
Aliás, os Serviços Municipalizados vão encarregar-se de nos lembrar isso todos os meses…

Pedro Garcia Rosado


NR – Gazeta das Caldas deu conhecimento desta carta à Câmara das Caldas da Rainha, convidando a autarquia a comentar o seu conteúdo, mas – como tem vindo a ser habitual – não obteve resposta.