A Expoeste discrimina uma boa parte dos cidadãos!

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WC-sem-apoiosAs pessoas com necessidades especiais, grávidas, crianças e respectivos acompanhantes, idosos e deficientes, bem podem deixar o carro bastante longe da entrada da Expoeste, que é “para o lado que dormem melhor” os nossos mui prezados e preocupados responsáveis locais (autarcas e não só) por este espaço público. Se andar de cadeira de rodas e encontrar por acaso lugar para estacionar na traseira do pavilhão, não tem passeio rampeado para poder aceder ao rés-do-chão ou à rampa para o primeiro piso (ver foto).
Se um deficiente em cadeira de rodas precisar de ir ao WC, não tem barras para se apoiar a fim de se sentar na sanita (ver foto). Eu sei que estou a ser estúpido, porque segundo esta gentinha deve pensar, “o lugar dos deficientes é em casa” e se ousarem sair para estes locais públicos, é bem melhor que venham preparado para cagar e mijar numa fralda – que ao mesmo tempo é bem feito para não acreditarem em milagres!
O Decreto-Lei 163/2006 de 8 de Agosto, obriga os espaços públicos destinados ao estacionamento de viaturas, a disporem de “lugares reservados para veículos, em que um dos ocupantes seja uma pessoa com mobilidade condicionada” e devem “estar localizados ao longo do percurso acessível mais curto até à entrada/saída do espaço de estacionamento ou do equipamento que servem”. Para além de determinar o número de lugares em função da lotação total.
O mesmo Decreto-Lei também diz que “junto à sanita devem existir barras de apoio”.
Para além de ser chocante tanta falta de sensibilidade, como é possível a Câmara Municipal e a direcção da Expoeste “navegarem” há tantos na ilegalidade? Ao assumirem conscientemente o incumprimento da Lei, estão descaradamente a cagar-se para os cidadãos com necessidades especiais. Até fingem preocupação, porque dão sempre razão a quem há muitos anos eleva a voz contra estas situações.
Da parte que me toca, há mais de dez anos que através das mais variadas formas de comunicação, denuncio estas situações, exigindo a sua resolução.
A minha última intervenção formal a este respeito, foi na Assembleia Municipal de 22 de Setembro de 2010 em plena Semana da Mobilidade.
Concluí a minha exposição, dizendo que “os responsáveis por estes espaços ofendem a sociedade, quando catalogam à partida como irremediavelmente dependente, alguém só porque perdeu parte da sua autonomia”.
…E foi nessa altura, que o então presidente da Câmara de Caldas, Fernando Costa não se conteve e exclamou: “o senhor está a exagerar…”, e o vereador Hugo Oliveira dirigiu-me a palavra prontificando-se a corrigir as situações apontadas, nas quais se incluía uma parede falsa que incompreensivelmente foi aplicada a meio do WC dos deficientes e lhe truncava por completo o espaço. Esta foi a única situação entretanto resolvida.
No dia 14 de Agosto passado, à noite, voltei a cruzar-me na feira com responsáveis locais, fartos de saber o que se passa. E mais uma vez, deram-me razão. Outra coisa não seria de esperar, claro!
Mesmo que o assunto tivesse sido aflorado só há quatro anos, passou tempo mais que suficiente para que algo fosse feito.
Não sou fundamentalista, e sempre defendi que todos temos que nos adaptar ás circunstâncias que a vida nos impõe, com compreensão e espírito crítico. Não me sinto no direito de exigir à sociedade mudanças radicais ou despesas exageradas – a pagar por todos nós – só porque quero vencer esta ou aquela barreira excepcionalmente difícil de transpor. Há locais, onde sei que não poderei voltar… e ponto final!
No entanto, não abdico de ser exigente em relação à honestidade intelectual das pessoas que nos rodeiam. Não pode servir de desculpa a nossa “agenda” sempre muito cheia e sem tempo para resolver todos os problemas. Muito menos os problemas financeiros. É bom que se saiba que os referidos apoios para o WC, por exemplo, não custariam mais que 120,00 €. Uma fortuna meus senhores!
O que vou dizer não é demagogia: Não tenhamos dúvidas, de que também as condições de acessibilidade valorizam a imagem do nosso país (neste caso da nossa região) como destino turístico inclusivo, para nacionais e estrangeiros. E todos, mas mesmo todos ganharíamos com isso, a começar pelo sector do turismo, assim tivéssemos políticos locais à altura das suas responsabilidades.
Nota final: Peço desculpa por algumas palavras menos “polidas”. Se por um lado, não foram forçadas (saíram-me ao “correr da tinta”), por outro tive de me conter para não dizer mais disparates, de tal forma me sinto revoltado com tanta incompetência.

Carlos Mendonça