A importância da inteligência emocional nas organizações

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Paulo Moreira
CEO da EQ-Training

Nos últimos anos, a importância das emoções no local de trabalho tem vindo a crescer. As emoções são respostas que surgem perante estímulos reais ou imaginados e que geram uma vasta gama de respostas fisiológicas, influenciando o nosso comportamento e a forma como percecionamos o mundo.
Aprender a reconhecer, entender e gerir as nossas emoções, é, por isso, algo fundamental na vida das empresas. E esta capacidade tem um nome: inteligência emocional.
As empresas que valorizam e desenvolvem a inteligência emocional dos seus colaboradores têm uma vantagem competitiva. As vantagens de trabalhar a inteligência emocional nas empresas podem ser vistas em todo o nível hierárquico e em vários domínios.
Líderes emocionalmente inteligentes são capazes de compreender e responder adequadamente às emoções dos seus colaboradores, o que ajuda a construir relações mais fortes e de confiança e um ambiente de trabalho mais positivo.
Por sua vez, colaboradores que trabalham numa equipa com relações fortes e positivas, tendem também a responder de forma mais eficaz às situações, contribuindo para o desenvolvimento da sua inteligência emocional coletiva. Os colaboradores que compreendem suas próprias emoções e as dos outros são capazes de se comunicar de forma mais clara e respeitosa, resolver conflitos de forma mais eficaz e encontrar soluções inovadoras para os desafios.
As empresas que investem em programas de desenvolvimento de inteligência emocional conseguem também atrair e reter mais talentos, sendo esta vantagem cada vez mais importante numa época em que os novos colaboradores são mais exigentes em selecionar os sítios onde investem o seu tempo. Os colaboradores que se sentem valorizados e apoiados no desenvolvimento das suas habilidades emocionais são mais propensos a permanecer na empresa e contribuir de forma significativa para o seu sucesso a longo prazo. Além disso, as empresas que promovem a inteligência emocional demonstram aos seus clientes e à comunidade que estão comprometidas com a construção de uma cultura empresarial saudável.
Por outro lado, empresas que não valorizam esta valência podem enfrentar sérios problemas, como altas taxas de rotatividade, baixa produtividade e conflitos internos. Colaboradores que se sentem desvalorizados e desrespeitados podem ficar desmotivados, o que pode afetar a qualidade do trabalho e a satisfação do cliente. Além disso, conflitos internos constantes e mal geridos podem se tornar uma fonte de stress para toda a equipa.
A questão que se coloca é: se a inteligência emocional é tão importante para o bem-estar dos colaboradores, clientes e consequentemente para o sucesso das empresas, o que impede que mais empresas apostem nela?
Da minha experiência enquanto consultor e formador na área de inteligência emocional junto das organizações, penso que para muitos, esta temática é já vista como algo importante, mas apenas se existir tempo, oportunidade ou orçamento disponível para investir. É visto ainda como um tema acessório e não fundamental. Um motivo é que a aposta nas competências técnicas, é rapidamente visível e quantificável, ao contrário da aposta nas competências sócio emocionais, que possuem efeitos fortes, mas indiretos, através da atitude e comportamento dos elementos das organizações. Mas, enquanto as empresas olharem apenas para o que é visível e que traz resultados a curto prazo, ficarão cegas para as forças invisíveis que influenciam a cultura e resultados a médio-longo prazo. ■