A importância do jogo no processo de ensino/aprendizagem dos alunos

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José Santos
professor

Hoje em dia, quando penso nos meus tempos de criança e nas minhas experiências na escola, lembro-me de muitas coisas boas, tanto dentro como fora das aulas. Lembro-me das brincadeiras do recreio, de jogarmos à bola todos juntos, do cedro ao canto do espaço do recreio que teimavamos em subir apesar dos avisos constantes da professora, de irmos apanhar a espiga, mais ou menos por esta altura do ano, de jogarmos ao elástico, ao “Mundo”, ao “Aqui vai Alho”, entre tantas outras brincadeiras que eram mais do que brincadeiras, eram oportunidades de aprendermos uns com os outros, de partilharmos experiências e trocarmos conhecimento de forma informal.
Nessa altura, “cantávamos” a tabuada, fazíamos ditados e aprendíamos as contas de dividir de forma diferente, íamos a pé para a escola e aguardávamos ansiosamente pelos primeiros gelos de inverno para pularmos nas poças.
Ir à escola era uma aventura. Naquele tempo, sabíamos brincar. E essas brincadeiras eram momentos de aprendizagem que se estendiam para lá dos muros da escola.
Hoje em dia, considero que fizemos muitos progressos na educação, como tenho vindo a falar ao longo destes últimos meses.
Atualmente, falamos muito da importância da gamificação do ensino. Referimos que desenvolve a autonomia do aluno, que melhora o relacionamento, que torna o processo de ensino/aprendizagem mais centrado nas necessidades do indivíduo, mais adequado, mais atrativo e que é um importante fator para o desenvolvimento de competências sócio emocionais. Tudo verdades.
No fundo, o recreio entrou nas salas de aula e o que fazíamos lá fora, foi levado para dentro das mesmas. As dinâmicas, as interações e os jogos deixaram de ser vistos como distrações, eles são vistos como instrumentos de ensino, ferramentas para tornar a aprendizagem um processo mais intuitivo, dinâmico, apelativo e adequado a cada aluno.
No meu tempo de criança, o mais próximo que tínhamos disto era um problema de matemática com bolas de futebol à mistura. Eram outros tempos.
O jogo associado à aprendizagem é uma realidade e todos nós, professores, o utilizamos quase sem nos apercebermos disso. É aquela votação e aquele debate de ideias, é aquela atividade de troca de opiniões, é aquele trabalho de grupo ou projeto com objetivos a atingir, é aquela atividade com o cronómetro a contar, aqueles “jogos matemáticos”, aquele Kahoot, entre tantas outras coisas que fazemos nas nossas aulas.
Em suma, a gamificação do ensino consiste em tornar todo o processo de ensino/aprendizagem apetecível tendo em vista a sua adequação às especificidades de cada aluno, consiste em trazer as vantagens do recreio para a sala de aula e para as mochilas dos nossos alunos. ■