A Metafísica Social e o Nacionalismo

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Guilherme José
livreiro “Malfeitor”

São várias as críticas possíveis face ao processo de globalização que assistimos, dentro das quais, e de suma importância, está a problemática referente à questão nacional. Devemos entender, inicialmente, a ênfase na propensão e entrega total a processos de internacionalização – um dos presentes envenenados do capitalismo -, resultado de uma lógica mercantil que, cada vez mais, tende a expandir-se sem olhar a quaisquer entraves políticas, culturais ou sociais enraizadas em um mundo separado por múltiplas nações.
Podemos facilmente constatar, que, se existe pensamento que propagou o capitalismo como um sistema expansionista, foi o Marxismo, a fim, de assistir à degradação dos modos tradicionais de vida, pois esses implicam, de forma obrigatória, a aceitação de subcategorizações humanas dentro das quais, as étnicas, políticas ou religiosas pertencentes a um povo, sempre entendidas por Marx e Engels como, uns meros papéis sociais, obstáculos que impedem a realização do indivíduo enquanto espécie, impossibilitando-o de embarcar numa comunidade universal.
Perante este cenário, é urgente que pensemos na possibilidade de reconstruir a ideia de nação, num período que nos obriga a alinhamentos complexos, dentro dos quais: o de conjugar, nacionalismo com universalismo, adversidade essa tão presente no pensamento de Masaryk; ou, como reestabelecer uma ideia de nação numa época pós-moderna, onde vinga, sobretudo, o desconstrutivismo, algo que, por sua vez, não pressupõe a existência de uma metafísica social, ou seja, a pós-modernidade tem dificuldade em admitir que na origem de qualquer nação estão confrontos entre grupos etno-culturais, é assim desde tempos imemoriais, no entanto, admito a dificuldade em compreender tudo isto, quando uma maioria, julga que a organização política do mundo surgiu apenas com a modernidade.
É importante que a reestruturação da nação não esteja entregue a grupos políticos, todos eles altamente obscuros, encabeçados por atores não-estatais, eles próprios representam o crepúsculo das nações. Essa é a tarefa árdua que cabe aos portugueses, a de preservar os seus próprios ritos e tradições, tudo isso sem nunca desassociar os conceitos de identidade nacional e intelectual, pois, não se reergue seja o que for, sem uma causa profunda, e sem uma justificação filosófica capaz. ■