A união

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José Santos
professor

É com imenso prazer que, hoje, escrevo as primeiras linhas desta colaboração com a Gazeta das Caldas, a quem agradeço desde já o desafio que me lançou. Desde miúdo que ler e escrever sempre foram, para mim, um prazer e não uma obrigação. Aliás, por alguma razão, segui a profissão de professor.
Na conjuntura atual, é imprescindível que reflitamos um pouco sobre as alterações socias que têm acontecido e sobre o que o futuro nos poderá trazer e, mais importante que isso, qual o nosso papel nesse futuro. Como poderemos contribuir para um futuro melhor? Para nós e para as nossas crianças e jovens?
É indubitável que nos últimos quatro anos sofremos alterações sociais profundas. Essas alterações foram causadas por uma série de acontecimentos inesperados e improváveis, que todos tão bem conhecemos. E esse passado recente trouxe-nos a um presente repleto de desafios, um presente difícil, em constante mudança, que nos obriga a adotar novas estratégias para almejarmos um futuro melhor.
Assim, a nossa maior força, para conseguirmos singrar neste novo presente, é a nossa capacidade de nos unirmos e trabalharmos de forma convergente para que consigamos ultrapassar os desafios que se nos colocam. Se esta necessidade já existia anteriormente, é hoje em dia muito mais vincada.
Vejamos o exemplo da escola. Há muito que existem normativos que definem a escola como uma organização aberta, fazendo com que o antigo estatuto de instituição fechada em si mesmo, sem qualquer contacto com o exterior, tenha sido abandonado. E é nessa alteração que a escola encontra a sua maior força, passa a contar com um grande leque de parcerias que a auxiliam a fornecer aos seus alunos um processo de ensino/aprendizagem equitativo, de qualidade e com sentido. Um ensino desenhado pelo aluno, para o aluno e baseado nas suas experiências e vivências. Por outro lado, os professores passam a dispor de um sem número de oportunidades para complementar as suas aulas; as salas de aula assumem novos espaços, novos cenários, os intervenientes no espaço escolar passam a ser muito mais diversificados criando uma riqueza inigualável.
Mas, para que esta história seja uma história de sucesso, existem valores que não se podem deixar no baú do esquecimento, valores como a confiança, como a humildade, como a compreensão, como a entreajuda. Para que todos nós consigamos unir-nos em torno de um bem comum, temos de nos focar na nossa missão primordial, o bem-estar das nossas crianças e jovens.
E, reforço, é nessa união que residirá a força para conseguirmos formar jovens cultos, educados e bons cidadãos. Cidadãos confiantes, humildes, compreensivos e preocupados com o outro. É na união do presente que conseguiremos um futuro assente em valores tão necessários e tão frequentemente esquecidos, do tempo em que um “aperto de mão” era a palavra. Em suma, enquanto todos acreditarmos na nossa missão e cimentarmos a nossa união, continuará a existir esperança num futuro melhor! ■