Ano novo, nova vida

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Mercês Silva e Sousa
professora

Foi-se o ano velho!
Antigamente, nas passagens de ano, em casa, deitavam-se pela janela pequenos papéis, apitava-se bem alto e batia-se em tachos para afugentar o ano velho e dar boas-vindas ao novo; subia-se a um banco ou uma escada para atrair o sucesso; comiam-se as doze passas, uma por cada badalada da meia-noite, com desejos para o novo ano, e bolo-rei; víamos o fogo de artifício… Existiam no passado, os bailes no Casino, as festas no Ferro-Velho e no Inferno da Azenha, em Caldas da Rainha. Em 1980 surgiu a extinta Green-Hill, discoteca na Foz do Arelho, centro de diversão noturna de sucesso durante 30 anos! Algumas tradições ainda se mantêm e, com o passar dos tempos, criaram-se outras animações.
No início do ano continuam a fazer-se muitos projetos de carreira e de vida, ilusões e sonhos, estabelecem-se metas para o novo ano, mas, muitas delas ficam pelo caminho, e tudo se vai esmorecendo com o passar dos meses e com o aparecimento de novas oportunidades que levam a novos projetos, ou de desafios prioritários e urgentes que se procuram ultrapassar. Foram promessas e sonhos, vieram outros.
O tempo vai passando, não volta para trás e muitas vezes no fim do ano nem se faz o balanço do que se conseguiu e do que não foi implementado, para se reformular o plano para o ano seguinte.
As dificuldades que surgem servem de experiência, para se verificar até onde somos mesmo bons, como está a nossa capacidade para saltar os obstáculos ou para os contornar. As mudanças hoje são vertiginosas. Aproveitemos os mananciais de informação nas novas tecnologias, selecionando o que mais interessa; sejamos prudentes com as armadilhas que surgem muito ardilosas; avancemos sempre sem temer as invejas, os empecilhos, as frustrações, e as contrariedades, procurando a barra de ferro onde nos poderemos segurar. Caindo no chão ou chegando ao fundo do poço, não podemos descer mais baixo, mas poderemos olhar para cima, levantar-nos, mesmo com dificuldades, desinfetar as feridas e toca a ir em frente em direção à luz do alto. Apliquei inúmeras vezes estes princípios que humildemente agora partilho convosco e, tendo muito poucos incentivos, com os erros cometidos ao ser imperfeita, nunca desisti e tentei sempre dar o meu melhor, dedicar-me ao que gostava de fazer, retirando aprendizagens para a vida. Valorizem os idosos pois com eles está sabedoria; na longevidade, está o entendimento; a multidão dos anos ensina e recheia a biblioteca das experiências.
Ótimo 2024! ■