“As Caldas em festa”

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Esta é a manchete da primeira página da edição de 21 de agosto de 1923 de “O Regionalista”, onde se enaltece a realização da Exposição Agrícola, Pecuária e Industrial nas Caldas da Rainha. Este jornal republicano noticiava a presença concorrida de empresários de todo o país e de muitos visitantes; a animar, estiveram a banda “do 5 de Infantaria” e as bandas filarmónicas do concelho; as “barracas” foram “verdadeiramente artísticas”, enfim, um registo muito diferente da atualidade, lamentavelmente sem preocupações de estética, de ambiente sonoro apropriado e de salvaguarda dos espaços verdes. Ontem, como hoje, aquele periódico também se refere ao “magno problema” do custo de vida, que continuava num “crescendo assustador” em Portugal: “Se providências rápidas não forem tomadas, no sentido de serem melhoradas as condições da vida, aonde chegaremos em breve?” (7 de janeiro de 1923).
O cerne deste artigo é a festa como definidora de um estado de alma coletivo da comunidade e de uma atuação política.
Criar a festa num concelho deve ir ao encontro não só dos desejos mais primários dos públicos mas, porque o gosto se educa, também dos registos contemporâneos das artes musicais e performativas, com especial destaque para as sonoridades em harmonia com os espaços onde se integram.
Criar a festa num concelho deve ter preocupações de gestão pública e de escolhas substantivas, ou seja, uma oferta ponderada nos gastos, mas de excelência numa programação fortemente enraizada na memória, na história e na cultura locais, e simultaneamente aberta às contemporaneidades do mundo.
Saber pensar, convergir e atuar deve fazer parte de uma entrega política séria e sem esquemas de negócio eticamente duvidosos.
O Centenário da Elevação a Cidade aproxima-se. Juntemos às manifestações festivas convencionais a realização de um Parque de Exposições, bem como de um novo Balneário Termal, com materiais, relações funcionais e operacionalização de serviços modernos, e do Hotel nos Pavilhões do Parque, com uma arquitetura com assinatura reconhecida e uma área do edifício, autónoma e pública, dedicada a um percurso pela história urbana, complementar ao Museu do Hospital e das Caldas e aos restantes museus. Estas são iniciativas matriciais e que sublimarão a festa na cidade.
O ano de 2027 será o das Comemorações, e o de 2025 chegará mais cedo para uma verdadeira promessa de futuro. Caldas tem vantagens competitivas. A localização geográfica, a condição urbana, o mercado diário, o potencial artístico e termal e a história singular à escala mundial são créditos desta cidade, a que temos de atender com competência para que saibamos construir um futuro que nos distinga. ■

Jorge Mangorrinha