Caldas que futuro?

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Caldas que Futuro?
Quando falo sobre a nossa cidade, a minha conclusão é invariavelmente a mesma: as Caldas estão a morrer! Mas porquê tanto alarmismo?
A cidade das Caldas surgiu devido à procura de tratamentos termais, no final do século XV, e teve o seu grande salto quando alterou a sua vocação para o turismo termal já no final do século XIX sob orientação do distinto Rodrigo Berquó. A primeira metade do século XX ficaria conhecida como “a época de ouro” das Caldas.
Contudo, já nos anos 80, uma lenta e gradual alteração nas preferências dos consumidores teve um grande impacto na procura das termas: a praia! Esta prometia ser um adversário muito duro à tradição das Termas, que tinha ficado demasiado tempo à sombra dos seus sucessos. Ainda assim o nosso concelho tinha a sorte de ter… uma praia! O então presidente da Câmara, o Eng.º Paiva e Sousa, um homem perspicaz, pensou à frente e mandou edificar a estrada oceânica que liga a Foz do Arelho a Salir do Porto e a S. Martinho. Nada como transformar uma fraqueza numa força. Neste contexto o Eng.º Paiva e Sousa sentiu ainda a necessidade de reforçar a industria na cidade, diversificando a entrada de receitas no concelho. Prova disto são as fábricas localizadas nas Caldas durante os anos 80 como a Mattel. Com a infeliz morte do Eng.º Paiva e Sousa, muitos destes trabalhos foram cancelados, o que parece ser uma característica da cidade, dado que também quando o Rodrigo Berquó morreu, a administração que o sucedeu no Hospital, achou melhor cancelar a construção dos pavilhões do parque.
A administração que tem gerido os rumos da cidade nos últimos 25 anos focou-se em apenas realizar obras avulsas sem qualquer estratégia implícita, sem um objectivo final que não fosse cortar fitas no 15 de Maio para ganhar eleições, o que aparentemente já nem este ano se fez. O financiamento destas obras foi provido por terceiros sobretudo no âmbito dos apoios da UE, ou com recurso a negócios com privados. Ao mesmo tempo iniciou-se uma transição na origem de receitas, fomentando a explosão na construção para recolher posteriormente receitas de IMI.
Durante muito tempo os habitantes das Caldas acreditaram que a cidade era um modelo para o resto do País. Eis que chegamos aos presente e verificamos que o turismo está decadente, o Termal não atrai ninguém depois de décadas sem investimento, a praia são meia dúzia de bares rodeados de caniços. O património histórico não tem roteiros de turismo devidamente promovidos, as infraestruturas não são visitadas. A industria desapareceu das Caldas, as fábricas de cerâmica foram encerrando ao longo da ultima década, sem existir um esforço de reposição dessas industrias (que fique claro que a explosão de hipermercados não é nem de perto uma compensação para a perda de industria). Com isto não existem empregos para os jovens, que saem das Caldas para estudar fora e já não regressam. Mesmo os que ficam para estudar na ESAD também não têm melhor sorte em encontrar trabalho. A cidade é cada vez mais um dormitório. O resultado disto será uma cidade para velhos agarrada aos antigos costumes enquanto definha, agonizada pela concorrência do concelho de Óbidos que, com menos recursos, tem feito bem mais e melhor.
Dos parágrafos anteriores podemos concluir que o alarmismo se justifica, pois as Caldas estão a morrer e irão desaparecer do mapa se ninguém com real capacidade e provas dadas, agarrar os destinos da Câmara Municipal nas próximas eleições. A oposição faz o seu trabalho com a mesma falta de estratégia com que a Câmara faz os seus investimentos. Perdoem-me e até espero estar enganado, mas não antecipo nada de bom que venha tanto da oposição como da continuidade. Assim penso que a nossa esperança está numa solução fora da caixa que poderia bem vir do nosso concelho vizinho, ou de conjunto de empresários voluntariosos que realmente queiram ajudar a sua cidade. Será imperioso que quem quer que seja o candidato defina uma estratégia para resolver os problemas mais urgentes como o Termal, e revitalizar a industria da cerâmica. A cidade precisa disso como de pão para a boca.

Nelson Alves