Carta aberta ao Provedor da Santa Casa da Misericórdia

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Antes de mais quero explicar:
Na Santa Casa da Misericórdia trabalham pessoas de família, ex-colegas, utentes e amigos. Faço ideia que, infelizmente, digo e repito, infelizmente, se a minha mulher falecer primeiro, tenciono ir ser lá internado. (…)
Vou explicar ao que venho.
A Santa Casa da Misericórdia anunciou na rádio, publicidade na cidade toda, que iam efetuar um arraial popular na Praça de Touros com o seguinte horário: na sexta-feira até às 2h00 e no sábado até às 3h00.
No ano de 2017, no sábado acabou, às 3h20.
Falei, antes do evento, com o Dr. Lalanda. Falei ou tentei falar. Não tinha tempo. Foi a resposta. Escrevi-lhe uma carta em 4-07-2018. As respostas foram nulas. Fruto de pertencer durante 14 anos à direção do Montepio, onde os doentes me diziam que naqueles dias não tinham conseguido dormir.
Na rádio dizia mais ou menos assim: “o dinheiro angariado é para bem dos utentes”.
Este ano, depois de saber que iam fazer o arraial no mesmo sítio (pasmem), fui à Câmara pedir fotocópias das cartas, onde a Santa Casa pedia autorização para fazer o evento, e quem tinha licenciado.
Todos os dias a resposta era a mesma. Não tinham conhecimento da carta da Santa Casa, onde pediam para fazer o evento.
Como era chegado o dia do evento, mas a publicidade radiofónica continuava, a publicidade estava distribuída, mas sem licença (pasmem).
Resolvi então dirigir-me à Câmara em 4/07/2019 para falar com o vereador Hugo Oliveira.
Disse-me que ele é que tinha autorizado e que no dia seguinte me davam as fotocópias das cartas.
Fui à Câmara, onde pensava que me iam dar as ditas fotocópias.
Deram-me sim, mas só por volta das 16h50.
O que fazer então? Nada.
Entregar ao advogado, era tarde.
Entregar ao Tribunal, era tarde.
Previdência cautelar, era tarde.
Mas uma coisa aprendi: quando vir anunciado aquele evento, trato logo da Previdência Cautelar, não vou à Câmara.
Os senhores leitores peçam a Praça de Touros, com aquele horário, ou apitem depois do Sol posto.
Dizem que iam pôr um sonómetro. Não sei se puseram. Não estava cá.
No ano 2017 fui dormir às Dominicanas (Fátima). No ano 2016, até os vidros das janelas abanavam (não é exagero), mas acabou a algazarra eram 3h20. Quem pega no sono? Dou valor aos doentes do Montepio.
Este ano fui dormir ao Nadadouro, a casa da minha filha.
A PSP não teve culpa. Pois está licenciado pela Câmara (vereador Hugo Oliveira).
Eu sei pela fotocópia da carta, que me entregaram tardiamente, que não foi o provedor que assinou a carta, mas é o provedor o responsável pela Misericórdia.
Não me venha com essa desculpa.
Há muitas maneiras de matar pulgas, dizem. “Não há machado que corte a raiz ao pensamento”.
É tudo.

Jorge Manuel Santos de Almeida

 

NRGazeta das Caldas deu conhecimento desta carta à Santa Casa da Misericórdia das Caldas da Rainha, que nos enviou a seguinte resposta:

Agradeço, em nome da Santa Casa da Misericórdia que dirijo e da qual sou o principal responsável, a possibilidade que foi dada de poder tecer alguns comentários sobre o Arraial.
Desde há nove anos qua a Misericórdia comemora o seu aniversário, que ocorre a 27 de Junho (este ano de 2019, o 9Vl) com um Arraial. No primeiro ano, no espaço onde tinha acabado de ser lançada a primeira pedra do novo edifício que aí está construído e nos anos subsequentes na Praça de Touros. Pretende-se, não só comemorar o aniversário, mas também ser um sinal da Santa Casa no meio da Comunidade.
A realização deste evento é sujeita às necessárias licenças, que são obtidas e que têm sido fiscalizadas em ações da PSP, e bem, no local e durante a sua realização, tendo sempre sido verificada a sua regularidade. Há sempre uma finalidade para as verbas obtidas, graças à grande generosidade dos caldenses e não caldenses que lá acorrem. Noutros anos foram aplicadas no Centro de Acolhimento Temporário de Crianças em Risco (CAT) e no Jardim de Infância (J.1.), permitindo a aquisição de materiais e a realização de obras de beneficiação; este ano a verba apurada será aplicada na reabilitação de espaços do edifício mais antigo, utilizado pelos utentes idosos.
Todo o apoio que possa haver é bem recebido. A Misericórdia agradece toda a colaboração que possa existir na angariação de fundos. O aumento enorme que houve com os encargos, nos últimos anos, sem o correspondente aumento nas receitas, deixa-nos bastante preocupados.
Por isso as verbas obtidas no Arraial são para a Santa Casa muito bem-vindas.
Claro que a receita apurada só é possível porque há uma equipa vasta de voluntários a trabalhar, a grande parte dos quais funcionários e o apoio de fornecedores e beneméritos.
Agradecendo mais uma vez, esta oportunidade, apresento os meus cumprimentos, em nome da Misericórdia.

José Luís de Carvalho Lalanda Ribeiro