CATÓLICOS do OESTE – Mulher!

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Gazeta das Caldas

Muitos são os países que, desde 1975, comemoram no dia 8 de Março o Dia Internacional da Mulher.
Nesta data recordamos as mulheres operárias nova-iorquinas, que em 1857, organizaram um protesto por melhores condições de trabalho e salários mais justos. Porém, ao ocuparem a fábrica ocorreu um incêndio onde cerca de 130 morreram queimadas. Este “grito” na procura da igualdade de direitos, inflama algumas mulheres mas não tem na sociedade grande repercussão, apenas repressão.
Será o Papa Leão XIII um dos primeiros a reagir, através da Encíclica Rerum Novarum enviada aos Bispos a1891. Nela crítica fortemente a falta de princípios éticos e valores morais duma sociedade atolada na Revolução Industrial. O documento refere alguns princípios que deveriam ser usados na procura da justiça social, económica e industrial, como a melhor distribuição de riqueza a favor dos mais pobres e desprotegidos. Embora não defina um capítulo específico às mulheres, elas estão implícitas na preocupação às famílias.
A Rerum Novarum deu início a uma nova forma de relacionamento entre a Igreja e o mundo moderno, dando origem ao que hoje chamamos de Doutrina Social da Igreja.
Terão sido estes os primeiros movimentos a olharam a mulher com a dignidade que tem?
Não!
Basta ler as Sagradas Escrituras para perceber o destaque que é atribuído às mulheres, apesar da regra patriarcal que se vivia.
Basta olhar Maria, a quem o Papa Francisco chama de “influenciadora”.
Basta, por exemplo, um olhar mais atento ao Evangelho de São Lucas e à forma como Jesus se relacionava com as mulheres, como as tinha sempre por perto, como as ouvia, como levava em consideração as suas opiniões.
Aliás, devemos questionar-nos se não somos nós que construímos determinadas invisibilidades históricas, que não são mais que o resultado de um ocultamento do que de uma ausência real. As mulheres não estão ausentes da Bíblia, é preciso que aprendamos a apreciar melhor a sua presença e a dignidade que lhe é atribuída, não como seres mais frágeis mas como seres imprescindíveis à humanidade.
As mulheres bíblicas expressam-se de preferência com gestos, a sua fé é o contrário da abstração, comprometem-se mais na dedicação ao serviço. S. Lucas escreve que as mulheres estavam com Jesus exactamente como os Doze: faziam do seu destino também o próprio.
A relação de Jesus com as mulheres era de uma proximidade impressionante.
E tantas, tantas mulheres que ao longo da História da Igreja tiveram papéis fulcrais e fundamentais na sociedade.
Nas Caldas da Rainha D. Leonor, mesmo antes da fundação da vila, surgiu a Confraria do Espírito Santo, trazida para Portugal pela Beata Sancha e desenvolvida pela Rainha Santa Isabel, ali mesmo, no nosso Largo João de Deus.
A nota, que me apraz fazer, é que nos esquecemos, muitas vezes, que somos diferentes dos homens, nem superiores, nem inferiores, apenas diferentes, não só fisiologicamente, como psicologicamente.
Como disse, um dia, Agustina Bessa Luís: “A sociedade desfez a mulher, tanto a desarticulou, que ela já não se reconhece como mulher.”
A desigualdade de oportunidades e de tratamento são situações injustas que devem ser reparadas pela sociedade, as mentalidades têm de mudar e a mulher tem de querer ser o que é… Mulher!
Deus dá uma dignidade extraordinária à mulher, capacita-a aos mais belos sentimentos, ao maior dom que é ser o berço de todo o género humano.
Lucas narra que do coração da multidão saiu um grito irresistível e esclarecedor de uma mulher anónima: “Feliz o ventre que te carregou e o seio que te amamentou”.
Ouso dizer que Deus, quando criou a mulher, estava no seu maior êxtase de Amor.

Margarida Varela
Catequese de Adultos