CATÓLICOS DO OESTE | Porque é que ela quer ser freira?

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Esta é a questão mais frequente, quando nos deparamos com alguém vocacionado a entregar toda a sua vida ao serviço de Deus.
No dia 8 de Janeiro uma jovem caldense fez votos nas Irmãs Dominicanas de Santa Catarina de Sena. Há muitos anos que as Caldas da Rainha não vivia a alegria de ver nascer no seu seio uma consagração, uma vida oferecida a Deus para servir a humanidade.
Para muitos será sempre a Aninhas a jovem que cresceu no meio de nós, igual a todos, talvez mais tranquila e mais feliz, de sorriso pronto e radiante, abraço apertado e generoso.

Há alguns anos que sou amiga da Aninhas. As nossas conversas eram divertidas, giravam à volta da Palavra de Deus, de como é importante que seja Jesus a conduzir as nossas vidas. Quantas vezes rimos ou quantas vezes as lágrimas rolaram frágeis, ao reconhecermos que o agir de Jesus é maravilhoso.
A Aninhas fez o seu percurso universitário como qualquer outra jovem, porém sem nunca abandonar a confiança de que é o Senhor que nos conduz. E deixou-se conduzir, na vontade de Deus e também no testemunho e na espiritualidade do Pe Joaquim Duarte, por um caminho que a muitos parece estranho. Deixou que fosse a Palavra a revelar-lhe a beleza do Mistério de dar a vida ao serviço de quem precisa.
Vi-a partir para Moçambique. Regressou feliz, com uma força interior impressionante e contagiante. Quando Timor foi o seu destino de missão, alegrei-me com ela, voltamos a rir e a chorar na sua partida, não pela distância ou pela saudade mas por compreendermos que era vontade divina.
Regressou seduzida pelo serviço e entrou na Obra de Madre Teresa de Saldanha, fundadora em Portugal da Congregação das Irmãs Dominicanas de Santa Catarina de Sena, que tem como lema programático “Fazer o bem, sempre e onde seja possível”.
A Irmã Ana Margarida celebrou a sua Profissão de Fé num dia significativo para a Igreja, o Domingo da Epifania do Senhor.
Epifania quer dizer manifestação de Jesus a todos os povos, representados (Mt 2,1-12) pelos Magos, homens sábios, que chegam a Belém vindos do Oriente para ver o Rei dos Judeus, cujo nascimento eles tinham reconhecido através do aparecimento de uma estrela nova no céu.
Estes sábios souberam ler os sinais e puseram-se a caminho. Tal como nas nossas vidas deixaram-se iludir pelo óbvio e dirigiram-se ao palácio real, onde residia Herodes, este convocou os sacerdotes e os escribas os quais, com base na profecia de Miqueias, afirmaram que o Messias deveria nascer em Belém. Ao reencontrarem o caminho, os magos viram de novo a estrela, que seguia à sua frente, guiando-os até Jesus.
Entraram, prostraram-se, adoraram-n’O e ofereceram: ouro, incenso e mirra, que significam a realeza, a divindade e a humanidade de Jesus.
O encontro destes sábios com Jesus modificou as suas vidas. Voltaram para as suas terras, mas já não pelo mesmo caminho. Desde então, começou a propagar-se a pergunta transversal aos séculos: Quem é este Jesus?
Esta questão inquieta e coloca-nos numa posição de busca. Quem se encontra com Jesus reconhece que a sua vida muda e ganha sentido. Esta é a ansiedade espiritual que impulsiona a missão da Igreja: fazer conhecer Jesus, para que cada homem e mulher possam descobrir no seu rosto humano o rosto de Deus, e ser iluminado pelo seu mistério de amor.
A Epifania preanuncia a abertura universal da Igreja, a sua vocação a servir todos os povos.
A Irmã Ana Margarida é freira porque o encontro que fez com Jesus transformou a sua vida gerando o desejo permanente de ser espelho do amor de Deus pela humanidade. Deus, fonte de todo o bem, resplandece nesta filha da Luz que abriu o coração ao serviço no lema “Fazer o bem, sempre”

Margarida Varela
paroquiacaldasdarainha@gmail.com