Os Escuteiros do ano 2020

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Gazeta das Caldas

Aqui há dias perguntaram-me, uma pessoa que pertenceu ao movimento durante muitos anos mas que saiu há cerca de 15, se os Escuteiros ainda eram a mesma coisa, se eram como antigamente? O curioso é que esta é uma pergunta que me fazem com alguma frequência, quando encontro algum outro escuteiro, que já saiu do movimento há alguns anos. Esta é uma actividade tão distinta, envolta num espírito tão característico e com premissas tão diferentes de todas as outras actividades que um jovem pode praticar, que a ideia de que possa estar diferente de alguma forma assusta quem por cá andou e viveu intensamente todos os momentos, guardando memórias fantásticas.
De facto, está tudo igual, estando tanta coisa tão diferente. O Escutismo continua a significar para os jovens de hoje o que representou para os jovens de 1907 em 1907. A alegria do trabalho de equipa, o sentido de responsabilidade e a satisfação que vem com ela, o contacto com a natureza, a competição saudável em que é posta à prova a astúcia e a destreza física, o encontrar a espiritualidade e conhecer verdadeiramente o Caminho do Homem Novo e o fazer amizades que duram uma vida, tudo isto está presente no dia de hoje de uma forma diferente daquela que existia à 10, 15, 20 ou mais anos. E mesmo assim a forma ainda é semelhante o suficiente para poder ser identificada e relacionada com outros tempos. O uniforme, os nomes utilizados, as actividades realizadas e toda a estrutura continua muito semelhante à proposta inicial. A evolução da forma foi natural e proporcionada por milhares de jovens escuteiros que se tornaram dirigentes e contribuíram para o que temos hoje.
Nos últimos 15 anos o mundo tem passado por grandes alterações, em especial pelo avançar da tecnologia, que levou (e leva) a grandes alterações sociais, no modo como comunicamos, como funcionamos em comunidade, como experienciamos o que está ao nosso redor. Estas mudanças influenciaram a evolução do próprio método escutista e foi necessário adaptar e integrar, de forma a que os jovens pudessem fazer parte desta evolução e o escutismo se mantivesse tão fiel às suas raízes quanto original na sua proposta.
Hoje, mais do que nunca, sinto que o Escutismo pode desempenhar um papel fundamental na formação dos nossos Jovens, rumo à Cidadania. Os Escuteiros trabalham em pequenos grupos, em que todos se conhecem, passando por situações de stress e decisão (que vão desde montar uma tenda a orientar um mapa, ou cozinhar o jantar) em que o respeito e amizade fazem com que o escutar o outro seja fundamental para o sucesso. Os Escuteiros intervêm na sua comunidade, promovendo acções de ajuda ao próximo desligadas de qualquer ganho pessoal. Os Escuteiros aprendem a apreciar a Natureza e viver nela e aí encontrar paz e serenidade. Os Escuteiros aprendem a melhorar-se trabalhando o seu Eu, procurando ser melhor hoje do que ontem.
Os Escuteiros do ano 2020 são jovens que, tal como em 1907, querem Servir, querem um propósito, querem brincar e jogar, querem conhecer a Natureza e aí encontrar o seu lugar, são jovens que estão a descobrir como tornar as adversidades em obstáculos e os obstáculos em vitórias, com a ajuda dos seus “irmãos” e confiança em si mesmos, descobrindo um Caminho e fazendo a Caminhada com um sorriso no rosto e um Sempre Alerta nos lábios.
Fábio Santos
Agrupamento de Escuteiros Caldas da Rainha