Correio dos Leitores – Na Linha do Oeste nada de novo

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Estou estupefacto e impressionadíssimo. Acabei de ler um artigo na Gazeta das Caldas de 7 de Janeiro de 2011, um esclarecimento num direito de resposta do Conselho de Administração da CP “ao abrigo do disposto no artigo 37º da Constituição da Republica Portuguesa” (pobre República servem-se de ti a contendo deles  para tudo) sobre a venda de bilhetes na estação de Lisboa Rossio para a Linha do Oeste.
Imagine-se, pasme-se,  transcrevo a resposta dos visados da CP na Gazeta,  ”A título de exemplo foram vendidos no passado mês de Novembro (2010), 72 (setenta e dois) bilhetes com origem na estação do Rossio e destino a Estações da Linha do Oeste, das quais 26 tinham como destino final a Estação das Caldas da Rainha”.
Impressionante. Este número de venda de bilhetes devia entrar no Guinness. O número de bilhetes vendidos num mês  de Lisboa Rossio para a linha do Oeste 72 (setenta e dois) se dividirmos este numero por 30 dias,  temos o resultado de 2,4 bilhetes.
E o Conselho da Administração da CP  diz mais à  frente na sua defesa “Fica assim comprovado que o artigo publicado no vosso jornal contem afirmações que não correspondem à verdade dos factos, induzindo os vossos leitores em erro. Acresce ainda que o tom aplicado ao longo de todo o texto é manifestamente lesivo da imagem desta empresa”.
Esta empresa transportadora pode-se orgulhar da  ”verdade dos factos”, do serviço que presta aos utentes dos comboios na Linha do Oeste,  e “é manifestamente lesiva” dos interesses do povo desta região oestina
É espantoso: Lisboa Rossio  não chega  a vender bilhetes a 3 passageiros/dia, se tivermos em conta que a Linha do Oeste vai de Cacém a Figueira da Foz, e que as suas estações servem importante aglomerados populacionais, nomeadamente Malveira, Mafra, Sobral de Monte Agraço, Torres Vedras, Bombarral, Cadaval, Óbidos, Caldas da Rainha, S. Martinho do Porto, Valado, Nazaré, Alcobaça, Marinha Grande, Leiria e Figueira da Foz. (…)
Tudo isto, acontece pela prestação dum  péssimo serviço que se oferece, por uma má  gestão dos recursos humanos e materiais. Com estes índices de vendas de bilhetes de Lisboa Rossio para a Linha do Oeste, bem podia o Conselho de Administração publicitar esta grandiosidade de vendas em alguns  jornais diários destes país, e porque não,  também informar a imprensa estrangeira nos jornais Time, Washington Post, El País, Guardian, Daily More, Economist, Sunday Times etc. Podiam ainda publicitar a notícia no periódico  de  Curral de  Freiras “O Intrujão”. As pessoas gostam e necessitam de ser  informadas.
Recordar a década de oitenta, quando os comboios 4021,  4023, 4121, 4025, 4111 e 4027 partiam da linha 2 (a estação do Rossio dispunha então de 10 linhas) a abarrotar com centenas de passageiros de Lisboa com destino a Torres Vedras, Caldas da Rainha, Figueira da Foz, Alfarelos e Coimbra, é agora um exercício penoso. E não digam que tudo se deve à automobilização do país e às nóveis auto-estradas, nomeadamente a A8. Não. A culpa tem-na a CP e os sucessivos governos por não terem sabido manter o caminho-de-ferro com uma desejável e sustentável quota de mercado razoável.

Valdemar Duarte