O Novo Hospital do Oeste

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No dia 3 de Junho, a concelhia do CDS de Caldas da Rainha realizou um debate cujo principal tema foi a localização do Novo Hospital do Oeste.

Com a presença de políticos locais e da administração do Hospital, o arquiteto. Rui Gonçalves dissertou sobre o local mais apropriado para a localização do Novo Hospital do Oeste – NHO, assim apelidado.
O mapa apresentado mostrou que a distância entre os hospitais de Loures e de Leiria é de 128 km e o ponto médio, entre estas localidades, situa-se nuns terrenos perto das Gaeiras, junto ao nó das auto-estradas A8 e A6. Ora, seria, então, naquele local que a concelhia do CDS de Caldas da Rainha defende a edificação do NHO, num terreno situado no concelho de Óbidos.
Caldas nasceu da necessidade de dar saúde, e foi pela saúde das pessoas que a Rainha D. Leonor, há mais de 500 anos, mandou erigir o Hospital Termal. Posteriormente, no século XIX, com o Rei D. Carlos, é edificado nesta cidade um outro hospital, um dos mais antigos do país, a que foi dado o nome de Hospital de Stº Isidoro. É indubitável, então, que Caldas da Rainha, de longe o maior centro populacional, aquele que mais cresce no oeste e que está equidistante de Loures e Leiria, está para a saúde como Sagres está para os Descobrimentos.
Voltando ao NHO e ao estudo geográfico no qual o CDS se baseou para a sua localização, faz-me alguma confusão desperdiçar-se, neste estudo, os mais de 500 anos que um concelho tem ao serviço da saúde. Será que só a situação geográfica é fator determinante para a escolha do local? Se esse estudo apontasse para uma zona num raio de 2/3 Km iria entrar do concelho das Caldas na chamada zona da Matel com terrenos excelentes e pertencentes à Câmara, sem ser necessário pagar terrenos a particulares, como aconteceria com a proposta do CDS.
Esta estória da distância mínima conduz-me à minha profissão, pelo que me faz perguntar-lhe se consegue ver diferenças entre um aluno que obtém a classificação de 9,5 valores no exame e passa, e um outro que, ao ser classificado com 9,4 valores, é retido. Ou seja, os terrenos do município caldense que ficam situados 2/3 Km a sul do referido ponto não podem ser aprovados. Será que vamos ver uma qualquer concelhia lisboeta a sugerir que o Hospital de Todos os Santos deve ficar em Oeiras
Agora, há que esperar que a concelhia do CDS de Óbidos conclua que o melhor será que a construção do NHO seja no concelho de Caldas, na zona da Matel, para não correr o risco de Óbidos estar “a puxar a brasa à sua sardinha”, citando o CDS caldense.
Relembro que quando se falou na construção do CHON, Centro Hospitalar Oeste Norte, o mesmo devia ficar situado no concelho das Caldas, como proferiu a ministra da saúde, a lourinhanense Dra. Ana Jorge. Relembro, ainda, que, aquando da campanha eleitoral, o atual ministro, Dr. Adalberto Campos, veio às Caldas da Rainha dizer que o Oeste precisava de um novo hospital e que, em sua opinião, devia ser construído nesta cidade.
Porém, caso o governo garanta construir o hospital no espaço apontado pelo CDS, pois “se não for ali não há hospital em lado nenhum”, sou o primeiro a concordar com este cenário.
Espero que a concelhia do CDS, que tem tido uma atitude louvável ao agendar estas sessões de discussão pública, não venha retirar da Av. da Independência a localização da estação da linha do Oeste, aquando da sua eletrificação, e propor que ela deva ficar junto à Janela Digital, em Óbidos, perto do concelho das Caldas.
Sou deputado municipal do Partido Socialista, mas é o cidadão caldense que expressa a opinião sobre o debate realizado pelo CDS. E ela também vai no sentido de que o timing da construção já está infelizmente, provavelmente perdido! A Dra. Ana Jorge alertou, e bem, para esta possibilidade, mas os caldenses não souberam fazer a leitura devida.
PS – Um estudo feito em 2008 não difere muito deste. Pergunto: será este estudo o mesmo que aqui foi exposto, mas agora com outras roupagens?

José Carlos M. Abegão

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