Crise na Comunicação Social. Algumas reflexões sobre os jornais

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Filipe Mateus
Inspetor, professor convidado do ensino superior, formador

Nos últimos tempos, temos assistido à crise dos meios de comunicação social na grande maioria de jornais devidamente implementados no espetro nacional. Veja-se o caso do grupo Global Média, designadamente, os jornais Diário de Notícias, Jornal de Notícias, o Jogo, Açoriano Oriental. A Gazeta das Caldas, jornal de âmbito regional e local, que para o ano irá ter o seu centenário (se chegar lá!) também não passa ao lado da crise.
A comunicação social é um bem público, contudo a concentração da propriedade, minado pela pirataria, o uso abusivo pelas redes digitais de propagação de factos alternativos e flutuações afetivas, sem mediação, sem contenção e sem responsabilização não ajuda ao desenvolvimento dos jornais que ainda se querem demonstrativos do relato de notícias que acontecem na sociedade. Não há democracia plena sem uma opinião publica bem formada e informada.
O perfil dos leitores está mudar. Existe agora uma nova classe que se pode apelidar de consumidores de conteúdos, por via da internet e redes sociais, facebook, instagram, you tube, tik tok, entre outros.
Para colmatar esta crise e este novo paradigma, o Governo e/ou autarquias devem ajudar estes jornais, sobretudo com implementação na sociedade. Neste caso pode-se alvitrar a independência dos mesmos, para que os jornais não fiquem reféns de ambições pessoais e políticas dos atores de decisão.
No ano de 2023, o Estado diminui o apoio em relação ao transato. O montante total de apoios do Estado à comunicação social de âmbito regional e local a atribuir no ano de 2023, no âmbito do Decreto-Lei n.º 23/2015, de 6 de fevereiro, é de 874.102,69 euros que são distribuídos pelas CCDR. Por exemplo, na pandemia o Estado apoiou o setor da comunicação social com 15 milhões de euros de publicidade institucional. Na altura os critérios deixaram várias dúvidas sobre as condições e fórmulas de cálculo e a grande fatia desse apoio acabou nas contas financeiras das principais empresas mediáticas. Muitos órgãos de comunicação social regionais, locais e não tradicionais foram deixados de fora.
A crise de jornais implica consequências para os atores que produzem notícias, neste caso os jornalistas. No seu último congresso as principais conclusões foram a prática continuada de baixos salários, a precariedade, o imediatismo normalizou-se e algumas fontes de financiamento secaram. Nos jornais regionais e locais a crise está cada vez mais acentuada. Para que o leitor tenha a perceção, atualmente, produzir uma edição de um jornal semanário e relacionar com a sua venda é um prejuízo constante. Um prejuízo sucessivo leva obviamente à tomada de medidas radicais (nada abonatórias!) ou então a um encerramento compulsivo do mesmo. ■