“Este país não é para velhos”

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Maria Conceição Pereira
provedora da Misericórdia das Caldas da Rainha

Todos temos consciência que o País está a envelhecer. Com a descida da demografia, o futuro das novas gerações, quanto à sustentabilidade da Segurança Social, é uma verdadeira preocupação.
Trata-se de um problema há muito anunciado, mas o país não se preparou para esta situação. Assim, continuamos a ter notícias de idosos isolados, sem apoio, sozinhos, e mais grave ainda, explorados por pessoas sem escrúpulos.
Ao longo dos anos da nossa democracia, o Estado Central e Local, em parceria, com as Instituições de Solidariedade Social e Misericórdias, construíram inúmeros equipamentos destinados a dar resposta às necessidades dos mais velhos.
Também o nosso concelho soube responder a este desafio e, todas as freguesias do concelho, para além da cidade, contam com uma estrutura de apoio aos idosos.
Mas, muitas vezes nos interrogamos se este tipo de respostas mantém os nossos idosos felizes? E no Futuro?
Estamos convictos que, a maioria, das Instituições e Misericórdias merecem todo o nosso respeito, pelo trabalho diário que os seus técnicos e auxiliares desenvolvem, na procura de proporcionar aos idosos uma vida feliz e plena de conforto.
Por outro lado vivemos num país onde a maioria das reformas se mantêm em valores bastante baixos. De acordo com os dados de 2021, os homens recebiam, em média, uma pensão mensal de 657,00 euros e as mulheres de 372,62 euros.
As baixas pensões têm as suas consequências, nomeadamente para as mulheres que, apesar de terem trabalhado uma vida no campo ou nas tarefas domésticas, não realizaram os respetivos descontos.
E no futuro? Todos aqueles que, dentro de duas décadas atingirem a idade da reforma, o que pretendem para essa nova etapa da vida?
Como escrevia, no Jornal Expresso, o Dr. Eduardo Paz Ferreira “o idealismo é uma forma de se segregação”.
Porque não aproveitar o conhecimento e sabedoria, adquirido ao longo dos anos, para colocar à disposição das novas gerações?
Provavelmente, os futuros reformados pretenderão, também, outro tipo de respostas, mais autónomas e mais diferenciadas.
Porque não começar já esse desafio?
Vamos aproveitar as nossas aldeias, principalmente as mais desertificadas para construir espaços autónomos, com serviços de apoio e de lazer. Simultaneamente aproveitar essas presenças e o seu conhecimento para interagir com a comunidade.
No país já começa a surgir este tipo de projetos, aos quais devemos estar atentos.
Saibamos cuidar dos nossos Idosos, pois um país que não cuida dos seus é um País sem futuro e sem dignidade. ■