Eu poluo, tu polues, ele polue!

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Gazeta das Caldas
Jacinto Gameiro

Nas sociedades modernas o lixo, além de ser um negócio das “Arábias”, como dizia a minha avó… é uma praga social de difícil resolução.
Cada vez produzimos mais lixo e cada vez é mais difícil a sua recolha.
Veja-se o caso das grandes cidades onde a recolha começou por ser efectuada em contentores e, devido à má utilização, optou-se por se colocar o lixo em sacos à porta de casa, em dias certos.
O que nem todas as pessoas cumprem e se transformam as ruas em amontoados de sacos, meio rasgados e pestilentos.
Da visita que fiz ao Camboja, verifiquei que o lixo é um problema muito complexo. Das bermas das estradas até às margens dos rios, tudo está inundado de resíduos sólidos. Uma pergunta/dúvida nos ocorreu. Por que motivo é que a ONU e as outras organizações internacionais que tutelam o ambiente, não criam programas para compra de lixo? Mesmo a preços simbólicos poderia ser um incentivo para que as populações tivessem um comportamento diferente.
Em relação ao plástico, e pelo menos na Europa, já se tomou consciência da necessidade de diminuirmos a sua utilização ou mesmo da supressão dos hábitos de consumo diários.
Se é verdade que o Estado deveria legislar sobre esta matéria, mas é muito comedido a fazê-lo, veja-se o caso dos copos de plástico que as empresas fornecedoras de bebidas entregam gratuitamente aos seus clientes. Mesmo as tampas para copos de papel são de plástico.
Se o Estado estabelecesse a obrigatoriedade de que os copos fossem de material reciclado, era uma medida simples e o ambiente agradecia.
E por cá, como estamos?
Em matéria de contentores de lixo ou de reciclagem, em muitos deles mais parece uma fonte de poluição.
Estão sujos, têm cheiro nauseabundo, estão cheios de lixo em seu redor, e nalguns casos nas aldeias, a erva quase que os cobre.
De quem será a culpa. De todos, certamente. Uns porque os poluem, com a má utilização, e outros porque não zelam por eles.
E que dizer do espetáculo degradante que é ver o final do mercado das segundas feiras, e ao domingo no mercado de Santana, e às terças-feiras e sábados o final da Feira da Ladra.
Em todos estes Mercados o comportamento dos comerciantes e dos consumidores é similar. O que já não queremos vai para o chão. Os papéis, os plásticos, o cartão, etc.
Mas não haverá possibilidade de haver posturas municipais a reprimir estes comportamentos?
Alguém faz negócio, pouco ou muito, e o Estado (todos nós) é que é responsável pela limpeza.
È óbvio que se teria de estudar procedimentos e métodos adequados, para se impor uma mudança de comportamentos.
Teria de haver contentores de lixo, teria de haver equipas para recolha permanente, mas também sanções pecuniárias ou mesmo perda da licença de venda ou do local.
Por último, o que dizer das beatas que inundam o chão das cidades.
Recentemente, organizei um pequeno evento em Lisboa, onde a maioria das pessoas eram licenciadas, mesmo Doutores, Professores Universitários, etc, coloquei cinzeiros no exterior…mas no outro dia, havia mais beatas no chão, que nos cinzeiros…
Por isso, para grandes males, grandes remédios. O Estado terá de tomar medidas urgentes anti-comportamentos naturais. É óbvio que serão medidas impopulares, mas salutares e o ambiente agradece.

Jacinto Gameiro
jacintogameiroadv@gmail.com