Eventos de Verão, um sucesso regional? E agora, recessão?

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Sérgio Félix
Gestor e formador

Final do mês de agosto, num ano em que voltaram os grandes eventos.
Festas, festivais, concertos, tasquinhas, feiras e romarias superam as melhores previsões de afluência de público e de resultados económicos.
Vários eventos de relevo planeados, tal como o Ladies Open, evento internacional de tênis a decorrer nas Caldas da Rainha, o Fólio, no concelho de Óbidos, terão sucesso garantido e irão de igual forma suplantar expectativas. O Turismo e as taxas de ocupação na hotelaria mantiveram a confiança para o ano de 2023, e mesmo a taxa de desemprego tem-se mantido abaixo da média nacional, com uma situação considerada de “pleno emprego”.
Contudo, as perspectivas macroeconómicas globais, em 2022, não apontaram para a situação económica a que assistimos. Nem mesmo com o aumento gradual das taxas de juro, à data, de 3,75%, pelo BCE e perspectivando-se chegar a 4% nos próximos meses, era esperada a situação económica actual mas sim de estagnação ou mesmo de recessão.
Inclusive se pensarmos em teorias económicas, como o keynesianismo, teoria do economista britânico John Keynes, apresentada no livro “A teoria geral do emprego, dos juros e da moeda” assumida como um alicerce da política económica de muitos países, advogando a intervenção do estado, na manipulação da economia, baseada no controlo da moeda, juros e emprego.
Porém, aparentemente com a consequente globalização da economia, a descentralização por diversas latitudes, e a criação de um novo paradigma, o da informação, que sujeita actualmente biliões de pessoas a determinadas medidas e cujos efeitos económicos são imediatos, aos quais os economistas não se habituaram, durante a última década. Assim a grande questão é: se face a esta conjuntura teremos, ou não, uma recessão iminente?
Pelos dados económicos disponíveis, tudo nos leva a prever o pior no curto prazo, seja pela diminuição do nível de poupança das famílias, atualmente em 7,45% face a 8,63% em final de 2022, a subida das taxas de juro, a diminuição das encomendas à indústria, a nova crise dos cereais, entre uma série de fatores que criam a “tempestade perfeita”. Contudo, existem dois fatores que creio deveremos considerar:
– a falta de recursos humanos nos países desenvolvidos não levará a grandes taxas de desemprego, e por conseguinte não existirão grandes crises sociais:
-A globalização, em que a Europa, ou os EUA ditavam as tendências económicas e hoje seja também parte da equação os BRICS bem como países que controlam matérias primas.
Temos um conjunto de outras influências económicas!
Neste sentido acredito que, face aos dados económicos existentes, teremos um arrefecimento da economia nacional, com maior impacto na economia de proximidade, e não uma recessão com taxas de falências de empresas ou desemprego acima de 2 dígitos, nos próximos anos.
Não obstante, a velocidade das mudanças e impactos, na realidade económica e informação, é bastante mais rápida, pelo que é fundamental estarmos atentos, para decisões em tempo útil. ■