Festas de verão, o melting pot à portuguesa

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Amélia Sá Nogueira
socióloga e ceramista

Voltaram as festas de verão. Depois de um período de paragem imposto pela pandemia, as festas de verão retomaram com toda a sua alegria marcando simbolicamente um virar de página. Tidas como um dos acontecimentos importantes para as comunidades, as festas da aldeia são importantes momentos de partilha e de consolidação da pertença ao meio, marcando uma rutura com o tempo rotineiro.
Há umas semanas rumámos em família à festa de Salir de Matos. O petisco e o encontro de amigos serviu de pretexto. O ambiente era de festa. As mesas dispostas no largo e alinhadas a pouca distância umas das outras permitiam a partilha entre comensais e a troca de dois dedos de conversa com o vizinho do lado.
O som das conversas fluía e misturava-se em diferentes línguas de origem que iam do inglês ao francês ou outros linguarejares menos conhecidos. Estávamos no meio de uma verdadeira Torre de Babel. Portugal, segundo os últimos dados do Relatório de Imigração, Fronteiras e Asilo (RIFA), surge como um dos países de destino de eleição de muitas e distintas origens e onde a imigração mais cresce.
Não sendo um fenómeno exclusivo da região Oeste, encontramos exemplos verdadeiramente inspiradores da mais valia que representa a presença de comunidades estrangeiras em locais como a Cova da Beira ou o Pinhal Interior. A região Oeste há muito que vem sentindo o impacto da sua presença nos encontros sociais, numa simples ida ao supermercado ou em ações de voluntariado na comunidade. Para além de fatores de atratividade como as vantagens fiscais ou o acesso aos serviços de saúde, a segurança que o país oferece é tida como um dos principais elementos que pesa na escolha de Portugal como país de destino. Mudam de país pela pressão da vida das grandes cidades, procuram vidas mais simples e sustentáveis, mudam em busca de trabalho e melhores condições de vida, do turista residencial ao trabalhador agrícola, diferentes perfis e diferentes necessidades. Integrar, partilhar território, promover a interação, lança novos desafios ás políticas locais, com uma crescente diversidade em sociedades cada vez mais heterogéneas.
As comunidades estrangeiras que escolheram a região Oeste para viver e trabalhar transformaram também as festas de aldeia num verdadeiro melting pot à portuguesa, contribuindo para a criação de uma dinâmica de território com novos protagonistas de diferentes origens geográficas e diferentes culturas.
Sejam todos muito bem-vindos!. ■