Imperdoável

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Jorge Sobral
jurista

A noticia chegou descarada, sem discussão, autoritária, desprovida de analise séria.
Embrulhada numa nuvem de interesses partidários, num jogo de quem tem mais influencia junto do poder central.
Não havendo explicação técnica plausível que valorasse tal decisão, prevaleceu o método do “quem tem olho, é rei”.
Neste caso não pode ser alheio o facto da autarquia do Bombarral ser dirigida por um socialista, o antigo Secretario de Estado da Saúde ser do Bombarral, assim como uma deputada do Parlamento Europeu.
Há no entanto um outro fator que mostra a ignorância do Ministro da Saúde, sobre esta região.
A proposta apresentada por Caldas da Rainha e Óbidos, mostrava coerência, uma vez que não desvirtuava o principio de Caldas da Rainha ter sido e continuar a ser um concelho com uma historia relevante para toda esta região de assistência às populações. Facto de aqui ter sido construido o primeiro hospital termal do mundo, tendo este servido outras maleitas.
Mais tarde a existência do Hospital de St. Isidoro, continuou a responder às necessidades das gentes desta região. A proposta dos concelhos de Caldas e Óbidos ofereciam todas as ligações fáceis, quer ao caminho de ferro quer à A8.
Grande parte dos terrenos colocados aos dispor do Estado são do Estado. Logo sem custo.
Se as razões que levaram a tal decisão, tão desprovidas de boa governação, devemos questionar porque razão são elas tomadas.
O Governo do Partido Socialista acaba de fazer uma das maiores traições ao seu eleitorado caldense e não só. A sociedade caldense muitas vezes apelidada de “Aguas Mornas”, tem aqui um dos momentos mais importantes das suas vidas.
Bater-se com todas as forças, em uníssono, sem divisões, ao lado das instituições representativas, fazendo chegar bem alto o seu clamor contra esta decisão ultrajante.
Às instâncias partidárias locais, exige-se que mostrem que estão ao serviço das pessoas e não de interesses particulares ou pessoais.
Esta decisão se não for travada, terá maiores repercussões económicas e sociais do que aquela que retirou Caldas da Rainha do trajeto principal que ligava Lisboa/ Porto. Esse ato só foi reparado passadas muitas décadas até ao aparecimento da A8.
É justo que pensemos nas centenas de trabalhadores que exercem as suas funções neste hospital, em Caldas, com as suas vidas organizadas, com os seus filhos nas escolas, perto dos infantários que servem os seus propósitos, que aqui residem, com o conforto do apoio familiar, a terem de passar a fazer numa correria o que hoje fazem com tranquilidade para se deslocarem para outro concelho trabalhar. ■

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