O (mau) serviço da Rodoviária do Oeste

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À semelhança de muitas dezenas de caldenses que fazem o percurso diário Caldas-Lisboa-Caldas, vejo-me confrontado com a falta de qualidade dos serviços da Rodoviária do Oeste. Detendo esta entidade uma espécie de monopólio de mercado, e não se vislumbrando que a CP possa de facto ter uma linha moderna que servisse de alternativa e acima de tudo que servisse o concelho, o futuro é risonho para a Rodoviária, por mais que os/as utentes protestem e reclamem. Desde maio deste ano alteraram os horários, assim o único autocarro que fazia o percurso direto Caldas-Lisboa foi suprimido.

À guisa de consolação criaram mais carreiras, a sair de 10 em 10 minutos a partir das 6 da manhã. Parece bom e melhor, mas não é: com as obrigatórias paragens em Óbidos e no Bombarral, quem vai das Caldas tem de sair mais cedo de casa para chegar mais tarde ao trabalho, usufruindo assim um pouco mais do (des) conforto proporcionado pelos “excelentes” autocarros que servem a linha do oeste.
Suponho que uma boa parte de quem trabalha em Lisboa terá de entrar ao serviço por volta das 9 da manhã, sendo assim, não precisa de sair antes das 7, mas saindo no autocarro das 7h20 arrisca não chegar a horas. Ficam dois autocarros disponíveis (o das 7 e o das 7h10). Claro, dir-me-ão que agora temos muitas alternativas, podemos sempre ir para Lisboa às 6 da manhã… Convido/desafio a gestão da Rodoviária do Oeste a fazer o percurso Caldas-Lisboa-Caldas durante alguns dias, o que com certeza permitirá fazer uma avaliação mais conscienciosa do serviço: como sentem as costas e as pernas após viajarem em bancos desconfortáveis e que mal podem reclinar; como estarão de cansaço com os solavancos e paragens em Óbidos e Bombarral; e que tal as viagens de regresso em pleno verão quando o ar condicionado não funciona ou funciona mal? Multipliquem tudo por meses e anos.
A gestão desta empresa de transportes não se preocupou em modernizar os autocarros, nem tão pouco em servir melhor os caldenses, pois o número de utilizadores justificaria claramente duas carreiras diretas para Lisboa. O único que o fazia (o das 7h15) ia invariavelmente cheio acontecendo frequentemente não haver lugar para todos/as os/as passageiros/as. Perante este cenário o que decidem fazer é um contrassenso e denota a natural prepotência de quem não se inquieta com “luxos” como a qualidade do serviço prestado, pois há já algum tempo que se ouvia em surdina pelos corredores da rodoviária “qualquer dia acabamos com este…”, referindo-se à única direta e perante os protestos de quem não tinha lugar. Cumpriram.
A OesteCIM vai lançar em Junho um concurso público internacional para a concessão dos serviços de transportes em toda a região, conforme noticiou a Gazeta. Espero que a Comunidade Intermunicipal do Oeste tenha em conta esta realidade, que é a realidade de muitas pessoas que têm de ir trabalhar para Lisboa. Nem Caldas, Óbidos ou o Bombarral estão a ser bem servidos. Deixo no entanto uma palavra de apreço para a grande maioria dos motoristas da Rodoviária do Oeste, profissionais simpáticos e educados, que não mereciam os calhambeques que conduzem.

José Ribeiro

NR – Gazeta das Caldas deu conhecimento destas cartas à Rodoviária do Tejo, que nos mandou a seguinte resposta:

Agradecendo a possibilidade de resposta às cartas dos clientes da Carreira Rápida podemos informar:
1) Com o recente aumento de horários, a empresa continuou o seu aumento de oferta que progressivamente vem efetuando desde 2007, assim como a melhoria informação ao público disponibilizada, de viaturas afetas e condições dos locais de embarque;
2) Nesta carreira, que é uma Carreira Rápida devido à utilização de vias rápidas e não uma Carreira Direta, salientamos que passámos agora de 28 para 31 horários de Caldas da Rainha para Lisboa quando em 2007 existiam apenas 13 horários. Dos anteriores horários, mantinha-se apenas um horário como direto para Lisboa, resultante de anteriores serviços de desdobramentos quando a oferta regular era muito inferior;
3) Atualmente todos os clientes dispõem de uma vasta oferta de horários incluindo partidas de Caldas da Rainha, Óbidos e Bombarral com frequências de 10 minutos entre as 06H30 e as 08H00.
4) Com este recente aumento de oferta, a Carreira Rápida passou a ter todos os seus horários a cumprirem os seus percursos devidos, sem qualquer exeção, deixando assim de existir um horário, perdido entre 31 outros, não cumprindo o seu itinerário e fazendo-o como se de uma Carreira Direta se tratasse, com todos os inconvenientes operacionais e confusão daí resultante para os clientes;
5) A Carreira Rápida tem um itinerário, um horário e um tarifário e é isso que queremos continuar a cumprir da forma mais competente para todos os nossos clientes possam dispor de um serviço rápido, seguro, confortável que contribua para a sua satisfação;
6) Em suma, confirmando que entre os 31 atuais horários deixou de existir um com uma duração 15 minutos inferior à dos restantes 30 horários, julgamos estar neste momento em vigor uma solução que melhor serve a quase totalidade dos clientes que utilizam esta Carreira Rápida.
7) No que se refere à tarifa utilizada, podemos informar que os preços praticados são os que resultam das tabelas em vigor e definidas pela legislação em vigor.
Finalmente, quanto à questão do concurso internacional para os serviços de mobilidade a que se está obrigado pela legislação europeia, é uma situação normal e que nada decorre de melhor ou pior qualidade de serviço existente. Este poderá ser um tempo para as Autoridade Adjudicantes, se assim o entenderem, poderem solicitar novas Obrigações de Serviço Público e responsabilizarem-se pelas devidas compensações legalmente previstas. É o que vem acontecendo em todos países, exceto Portugal em que são os operadores privados, com ZERO compensações, que suportam todos os riscos e custos da operação. Fora das Áreas Metropolitanas de Lisboa e Porto o erário público nada paga (nada mesmo) aos operadores privados, pelos serviços rodoviários de transporte de passageiros que estes prestam. Com os futuros concursos que a legislação europeia irá exigir, as Autoridades tudo poderão passar a exigir e pagar.
Sem mais, reiteramos os nossos agradecimentos à Gazeta das Caldas pela oportunidade e, acima de tudo estes clientes, por serem nossos clientes num leque de opções em que se inclui a Rede de Expressos e a CP e por terem manifestado nesta reclamação a vontade que a empresa seja exigente na execução do seu serviço em benefício dos seus clientes. Podem crer que, para a Rodoviária do Oeste o cliente está sempre em primeiro lugar.

Orlando Ferreira
Administrador da Rodoviária do Tejo

1 COMENTÁRIO

  1. Esta resposta por parte da Rodoviária do Oeste, na minha opinião, não se traduz numa prioridade o cliente mas, mas sim numa prioridade os lucros que só a rápida totaliza no final do mês.
    No passado dia 21 de Maio 2017 (Domingo), pelas 5h50m da manhã desloquei-me ao terminal das Caldas da Rainha, para apanhar a rápida onde encontrei mais 4 ou 5 passageiros, que ali se deslocaram para apanhar o autocarro das 6h, autocarro que nunca apareceu, tivemos pois, que viajar no horário das 7h. Isto sem um pedido desculpa aos clientes, ficando o responsável muito admirado quando ali chegou para abrir o terminal, até hoje estamos por saber o que teria acontecido por não haver autocarro, nem sequer um contato de emergência tínhamos para contatar alguém. Isto é o quê? Sr. Orlando, é assim que querem continuar a ter clientes satisfeitos com o serviço da RO.