Como é que uma médica dá alta a um utente sem o ver?!

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notícias das CaldasChamo-me Carla Martins, sou da Granja Nova (Santa Catarina) e venho pedir se podem publicar uma nota no vosso jornal.
Passo a expor o caso. O meu marido tem 41 anos e teve um AVC no dia 26 de Novembro de 2015. Teve um AVC grave. A área lesada foi muito extensa e os défices são muitos. Ficou com o lado direito afectado e com uma afasia global. Saiu no dia 4 deste mês de Alcoitão e a Dra. Susana Caetano, do Hospital Termal, recebeu a alta com a indicação para continuar os tratamentos em regime de ambulatório.
Quando fui ao nosso médico de família para ele pedir uma nova consulta para voltar para a Fisioterapia do Termal, ele disse-me que não podia porque tinha recebido uma carta da Dra. Susana Caetano a comunicar que o utente José Carlos Marques Vieira tinha tido alta do Hospital Termal porque tinha chegado a um estado de estagnação, baseado na nota de alta de Alcoitão.
Como é que uma médica dá alta a um utente sem o ver?!
Liguei para o Termal para falar com a Dra. Susana para saber o porquê da alta e ela disse-me que o Hospital só recebe utentes em fase aguda, e que ele já não vai recuperar nada, por isso, não tem vaga para ele. Ou seja, recebe a nota de alta de Alcoitão a dizer que deve continuar os tratamentos em regime de ambulatório e a médica dá-lhe alta. Não se compreende. Questionei a sobre a política daquele hospital e disse que não falava comigo sobre esse assunto. E que eu e o nosso médico de família é que temos que resolver o problema.

Carla Martins

NR – Contactado o CHO, a administração deste centro hospitalar enviou-nos a resposta abaixo, que publicamos na íntegra.

 

O Centro Hospitalar do Oeste (CHOeste) vem clarificar a informação relatada pela Sra. Dona Carla Martins na rúbrica «Correio dos Leitores» do semanário Gazeta das Caldas relativamente aos cuidados prestados ao seu marido, salvaguardando o bom nome do CHOeste, nomeadamente do Serviço de Medicina Física e Reabilitação da Unidade de Caldas da Rainha e da sua Diretora, Dra. Susana Caetano.
Tendo em conta os cuidados assistenciais de reabilitação prestados ao doente em questão, o Serviço de Medicina Física e Reabilitação (MFR) da Unidade de Caldas da Rainha do CHOeste cumpriu os procedimentos técnicos de acordo com as Normas de Orientação Clínica (NOC) da Direção Geral de Saúde, de acordo com normas internacionais:
I – NORMAS
5. No AVC moderado, em doentes com idade inferior a 75 anos e em doentes com AVC grave com idade inferior a 55 anos e boa resistência física, há indicação para internamento hospitalar especializado, que garanta a execução de plano terapêutico de reabilitação intensivo. Após a fase inicial da reabilitação, esta poderá ser completada em ambulatório hospitalar ou em centro de reabilitação ambulatório da área da residência.
7. Cada doente em plano terapêutico de reabilitação após AVC deve ser reavaliado pelo serviço especializado hospitalar, onde foi feita a avaliação inicial e a triagem para a unidade de reabilitação, aos 6 e aos 12 meses de evolução.
9. Em ambulatório e no âmbito do tratamento de medicina física e de reabilitação, a ausência de progressão na escala de avaliação funcional em duas avaliações, realizadas com intervalo de 60 dias, é critério para alta clínica.
10. A fase de sequelas crónicas do AVC tem início após estabilização da situação, com ausência de progressão nas escalas de avaliação funcional.
Todas estas normas foram cumpridas integralmente.
II – CRITÉRIOS
r) Na fase de sequelas crónicas do AVC, o médico de família desempenha um papel muito importante no controlo e seguimento periódico do doente.
A atual informação sobre o doente foi enviada ao médico de família.
O CHOeste reforça que a comunicação de reclamações, sugestões e/ou elogios pode ser feita através do Gabinete do Cidadão ou num dos livros de reclamações/elogios do CHOeste e que, em todos os casos, é feita uma análise individual com esclarecimentos dos factos expostos e resposta personalizada a cada um. As exposições feitas ao CHOeste constituem um contributo para a melhoria dos cuidados de saúde prestados aos utentes, através da correção das deficiências, do aproveitamento das sugestões e/ou do incentivo dos elogios.

A administração do CHO