Mobilidade suave para uma cidade mais sustentável

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A 12 de março foi publicado o Inventário das Emissões de Portugal, no âmbito do Acordo de Glasgow. Este inventário é o primeiro passo na agenda para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa e enumera os principais setores emissores destes gases. Este relatório revelou que a indústria energética e os transportes são os setores mais poluentes seguidos de perto pela indústria do cimento, papel e outras. Há muito a dizer sobre a indústria da energia, no entanto foco-me principalmente na mobilidade. Analisando o setor dos transportes mais detalhadamente é nítida a predominância do transporte rodoviário, superando mesmo o transporte aéreo.
Num ano em que o Município das Caldas da Rainha aprovou um orçamento fortemente focado na repavimentação das estradas do concelho, importa refletir se é esse o caminho que a cidade deverá seguir. De realçar que no mesmo orçamento, é notória a ausência do Plano de Mobilidade Urbana Sustentável, algo que contribuiria para incentivar as mudanças necessárias.
As políticas tradicionais de investimento em estradas e na viatura privada começam a ir contra a opinião pública, uma vez que, nos últimos anos a consciência ambiental dos cidadãos tem vindo a aumentar, dando-se cada vez mais importância à sustentabilidade. Uma forma de contribuir para isso é reduzir a utilização da viatura privada e apostar em meios alternativos e suaves, como os transportes públicos, veículos elétricos, bicicleta e andar a pé.
As ciclovias que irão ser construídas não são suficientes e não cobrem o centro da cidade onde fazem mais falta. Além da redução de emissão de gases poluentes, a utilização de bicicleta como meio de transporte está associada a uma maior qualidade de vida, principalmente pelos benefícios que esta atividade física tem na saúde, mas também pela diminuição do tráfego automóvel e do stress a ele associado e pela diminuição do ruído. A mobilidade suave está também associada uma maior poupança, uma vez que, deixam de existir os custos associados a um automóvel (seguro, combustível, etc). Finalmente, andar a pé e/ou de bicicleta aproxima os cidadãos do comércio local pois antes apenas conseguiam vislumbrar as montras momentaneamente dentro dos seus automóveis.
São claras as vantagens da mobilidade alternativa e por essa razão é urgente aprofundar o diálogo sobre esta temática e questionar sobre o contínuo menosprezo por algo que beneficiaria a comunidade caldense. ■

Inês Pires