Navegar é preciso

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Sara Velez
deputada do PS

Este será o último artigo neste formato desta coluna partilhada, cumprindo o compromisso que assumi, com a Gazeta das Caldas, há cerca de um ano. Foi uma honra ter podido, durante este período, partilhar a minha opinião, as minhas atividades políticas e a minha visão sobre diferentes temas com os leitores da Gazeta, órgão de comunicação social que caminha para um século de existência e que tem sido um garante da informação, do escrutínio e o veículo que transporta para todos aqueles que estão distantes do nosso concelho e da região as notícias da sua terra. Fechado este ciclo, abre-se agora um outro, que se iniciará no próximo mês, com mais um colega a dividir este espaço de opinião política.
Assim, no último artigo deste ciclo, gostava de abordar um tema que já trabalhei na sessão legislativa anterior, ao qual nesta regresso, e que ainda não tinha tido oportunidade de colocar aqui. Hoje, quando falamos de tecnologias da informação e comunicação, já não lhe chamamos novas, como o fazíamos há bem pouco tempo atrás. O mundo digital entrou no nosso quotidiano e, diria eu, institucionalizou-se de forma incontornável com a pandemia.
Se é verdade que, no mundo das empresas nacionais e internacionais, o recurso a meios online de comunicação, áudio e vídeo já eram rotina antes da pandemia, a verdade é que, a partir daqui, esses recursos tornaram-se ferramentas de uso comum para a maioria dos portugueses, sendo recurso corrente não só para motivos profissionais, como também educacionais, de relacionamento com a administração pública, comerciais, de lazer, entre um sem número de outras utilizações. Mais, em tempos de pandemia, esse uso deixou de ser uma possibilidade entre outras. Com a maioria das empresas e dos serviços públicos e privados encerrados, das escolas, das instituições em geral, o recurso a estas ferramentas tornou-se mesmo a única opção para o suprimento de diferentes necessidades.
O acesso a comunicações digitais é, para a maioria de todos nós, uma espécie de pressuposto garantido, tão certo como o acesso a água potável ou eletricidade. Há, no entanto, zonas, algumas mais perto do que imaginamos, onde assim não é. Zonas consideradas (podíamos dizer ironicamente, mas não o é) sombra pelos serviços de comunicações, onde uma simples chamada telefónica ou uma consulta a um serviço público se podem transformar num verdadeiro exercício de tatear às cegas, na escuridão da tal sombra a que os serviços de comunicações condenam as pessoas que vivem e trabalham nestes locais.
Por este motivo, questionei o Governo, juntamente com os restantes deputados eleitos por Leiria, acerca desta situação nalguns lugares e freguesias do nosso Distrito. Especificamente, queremos saber o que o Governo tem vindo a fazer para que os contratos de concessão com as operadoras sejam cumpridos e que tipo de investimentos estão previstos para reforçar o acesso dos utilizadores a estes recursos.
Finalizo recordando que, já em 2016, um relatório das Nações Unidas referia o acesso à Internet como um direito fundamental, dada a importância dos recursos que coloca ao dispor dos seus utilizadores. Reforçar e melhorar as suas condições de acesso são batalhas a travar no combate às desigualdades. Navegar é preciso. Em todos os mares. ■