O Automóvel, símbolo mítico da revolução industrial

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José Luiz de Almeida Silva
O automóvel, como o principal meio de transporte individual surgido no final do século XIX, tornou-se no século passado o principal símbolo de autonomia do ser humano e, simultaneamente, objeto de afirmação e de ostentação pessoal, criando para muitos uma volúpia insubstituível.
Contudo, o mais desejado tornou-se também no mais temido, e, com o excesso do seu uso e a ocupação excessiva dos nossos espaços de convívio e de uso territorial, tornou-se também uma ameaça ao nosso conforto e bem-estar.
De qualquer forma é ainda hoje e vai ser, por muitos anos, um meio necessário à nossa vida, estando em constante adaptação às novas tendências e objetivos da vida contemporânea, sendo utilizado nas sociedades da forma cada vez mais racional, até para minimizar os custos crescentes da sua utilização, quer no uso do combustível quer na ocupação do espaço.
Recordo o calafrio que vivemos quando nos anos 80 do século passado percorremos os territórios da República da China, junto a Macau, em que o automóvel era um objeto ultra raro, e vinte anos depois, já tinha uso excessivo na mesma região.
Esta edição traz um suplemento dedicado ao automóvel, numa altura em que ainda não estamos a responder ao que se faz no mundo mais desenvolvido, para o seu uso crescente e racionalizado. Verificamos a insensibilidade reinante ao seu uso de forma inteligente e amigável. Não tem havido uma estratégia coerente e nunca esteve articulado com os meios alternativos de circulação, tantos os coletivos como os mais amigos do ambiente, pelo que hoje se impõe a sua crescente articulação, para benefício de todos e para a sua justificação com rentabilidade social e ambiental. ■