O Centenário da Liga dos Combatentes

0
159

Este ano celebra-se o centenário da Liga dos Combatentes, instituição fundada em 1923 e oficializada em 24 de janeiro de 1924 pela portaria n.º 3.888. Em 21 de outubro de 1939 passou a ser considerada Instituição de utilidade pública, pelo Decreto n.º 29.991.
Não é vulgar uma instituição baseada essencialmente em recursos humanos voluntários ter uma longevidade tão grande, muito menos com atividade ininterrupta e constante alargamento da dispersão territorial dos Núcleos. Para atingir esses desígnios, muito têm contribuído os Combatentes e outras entidades com respeito pela causa, ao longo destes 100 anos.
Se analisarmos a sua origem, verificamos que foi criada por Combatentes portugueses da Grande Guerra para defender os interesses dos Combatentes e ajudar os Inválidos de Guerra, as viúvas e os órfãos. Repare-se que à data o Estado não tinha estruturas de apoio social que pudessem desempenhar essas funções.
Numa primeira fase, os sócios combatentes eram veteranos da Primeira Guerra Mundial. Mais tarde, devido à Guerra do Ultramar, passaram gradualmente a ser combatentes dessa Guerra contra-subversiva, onde os portugueses combateram em diversas frentes, durante mais de uma década.
Curiosamente, quando os primeiros Combatentes da Guerra do Ultramar começaram a inscrever-se na Liga dos Combatentes, os Veteranos da Grande Guerra não os consideravam como elegíveis para serem sócios combatentes, porque não tinha sido um conflito como a “sua Guerra”. Todas as gerações têm as suas idiossincrasias, agora são alguns Combatentes do Ultramar que afirmam que os veteranos das missões ditas de Paz, não são combatentes como no tempo deles.
Na prática, todos os cidadãos que serviram o país em zonas de conflito, onde a sua vida foi colocada em risco além do habitual, e que oficialmente são elegíveis para serem considerados “antigos-combatentes”, são Combatentes de pleno direito, e podem ser Sócios Combatentes da Liga.
Atualmente, a Liga conta com cerca de 100.000 Sócios, de diversas categorias, distribuídos por mais de 120 Núcleos, em todo país e no estrangeiro. O que demonstra a vitalidade e a relevância desta instituição centenária.
Outro indicador importante são os monumentos erguidos aos Combatentes um pouco por todo o país, 102 da Grande Guerra e cerca de 450 da Guerra do Ultramar, que constituem iniciativa e recordação das gentes de Portugal, que neles se reveem e recordam os seus heróis, como um repositório de memória coletiva.
Este ano, o Núcleo das Caldas da Rainha da Liga dos Combatentes associa-se às comemorações do Centenário da Liga como instituição de índole nacional e prepara-se para celebrar o seu próprio centenário em 2024, ano da sua fundação, no dia 28 de julho. Oportunamente serão divulgadas as atividades comemorativas da efeméride.
Também no Concelho das Caldas da Rainha existem diversos monumentos erguidos aos Combatentes: o monumento em honra aos Fuzilados das Guerras Peninsulares, em frente a Câmara Municipal; o monumento aos mortos da Grande Guerra e da Guerra do Ultramar, na Escola de Sargentos do Exército; o monumento aos mortos da Guerra do Ultramar, na Avenida General Pedro Cardoso; o monumento aos mortos da Guerra do Ultramar de Alvorninha e o monumento aos mortos da Guerra do Ultramar de Santa Catarina.
Atualmente estão em curso novos projetos de memoriais a edificar nas Caldas da Rainha, para continuarmos a relembrar aqueles que deram tudo pelos desígnios da Nação. ■ A Direção