O Nosso Museu

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Teresa Marques
empresária

Num singelo bairro da nossa Cidade encontramos a Quinta Visconde de Sacavém, um espaço ímpar e mágico. Este ícone caldense acolhe o nosso Museu da Cerâmica. Visitando o espaço, beneficiamos da envolvência do seu jardim, podemos apreciar os azulejos que o decoram assim como toda a sua arquitetura. Quando entramos nas suas salas e nos deparamos com o vasto espólio que ali podemos descobrir, ficamos com a sensação de plenitude que a riqueza arquitetónica alia à herança cerâmica, sentindo que este é o único espaço que podia acolher este Museu.
Foi em 1984 que o Museu da Cerâmica abriu, com uma grande exposição “A Faiança do Rato na Colecção Artur Maldonado Freitas”. O Museu foi criado com o intuito de mostrar o que a nossa cerâmica (caldense e não só) tem de melhor, aliando à sua exposição permanente diversas exposições temporárias. Assim, ao longo destas, quase, quatro décadas de existência, anualmente, o Museu reinventa-se, trazendo entre seis a oito eventos deste género.
O Museu da Cerâmica contou com cinco diretores, todos Caldenses ou de naturalidade ou de coração. Neste momento, o Museu encontra-se em fase de transição para museu municipal. Esta transição pode vir a facilitar o que até hoje tem sido mais complicado: a manutenção e restauro do espaço.
Em 1989 surge um grupo de pessoas interessadas em apoiar e dinamizar as atividades do Museu de Cerâmica: o Grupo de Amigos do Museu da Cerâmica (GAMC). Ao longo destes anos, o GMAC tem tido um papel importante “nas práticas museológicas do Museu”, tendo organizado algumas exposições, sobretudo de artistas caldenses, enaltecendo e divulgando os seus trabalhos. O GAMC já efetuou, também, a oferta de dezenas de obras que em muito enriqueceram o acervo do Museu. Neste momento o espólio do Museu da Cerâmica conta com cerca de 4800 peças, mas só consegue expor cerca de 550. Por isto o GAMC e o atual diretor, Carlos Coutinho, consideram muito urgente a conservação do espaço, assim como a sua ampliação.
Tempos houve em que assisti e participei em espetáculos realizados no jardim do Museu da Cerâmica: Noite de Fados, Teatro, Poesia, Dança… A beleza do espaço enquadrava os eventos com um esplendor que aquecia o coração de todos os que assistiam. Espero voltar a assistir a mais acontecimentos culturais neste maravilhoso espaço.
Com tudo isto gostaria de lembrar a todos os Caldenses que o Museu da Cerâmica é um museu muito NOSSO, mas que parece esquecido por nós. Vamos apoiar e divulgar os nossos Museus. Vamos apoiar a nossa Cultura. ■