O tabagismo e impacto na ocorrência de AVC

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Maria João Lima
neurologista

A 26 de setembro celebramos todos os ex-fumadores! O tabagismo continua a ser o principal fator de risco prevenível de morbilidade e mortalidade pre-coce. Ainda hoje é muitas vezes com complacência que olhamos para este hábito, que continua a ser socialmente tolerado.
A Europa é a região com maior proporção de mortes pelo tabaco, com cerca de 1,5 milhões de mortes anuais atribuíveis ao tabaco. Apesar da tendência para a diminuição dos hábitos tabágicos na Europa, estima-se que pelo menos 1 em cada 4 pessoas com mais de 14 anos ainda seja fumador ativo.
Nos países desenvolvidos, o tabagismo está associado a uma diminuição da esperança média de vida em pelo menos 10 anos. Contudo, a cessação tabágica, especialmente antes dos 40 anos de idade, pode reduzir dramaticamente esse risco de morte prematura.
O risco de desenvolver doenças associadas ao tabaco, nomeadamente o Acidente Vascular Cerebral (AVC), é tanto maior quanto maior for o número de cigarros fumados durante a vida. Estima-se que o risco de AVC nos fumadores seja 2 a 4 vezes superior ao dos não fumadores. Mesmo o fumo passi-vo pode aumentar o risco de AVC em cerca de 25%.
Nunca é tarde para deixar de fumar! Depois de 5 anos sem fumar, o risco de AVC parece ser seme-lhante ao dos não-fumadores. Mesmo após um AVC, a cessação tabágica tem benefícios na recupe-ração e prevenção de novos eventos.
Se é fumador, deixar de fumar é o passo mais importante que pode dar pela sua saúde. Os que o rodeiam também vão agradecer! Até o ambiente ficará a ganhar com a redução do consumo do tabaco.
Se é já um ex-fumador, já está a usufruir de mais e melhor tempo de vida e saúde, benefício que começou no dia em que fumou o último cigarro. Desejamos que continue a celebrar essa conquista e que inspire outros a valorizar a liberdade e o bem-estar que advêm da cessação tabágica.