Olhar para o umbigo ou para a frente?

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José Luiz de Almeida Silva
Quem percorrer as nossas páginas ao longo dos últimos 50 anos encontrará as notícias das necessárias obras de melhoria da Linha do Oeste. Quem o fizer ao longo de mais meio século as questões que eram levantadas diziam respeito à qualidade do transporte, aos horários, aos atrasos, ou seja, à incapacidade da CP em servir os interesses dos utentes.
Houve um momento crucial aquando da vinda troika, que até a viabilidade futura da utilização da Linha do Oeste para passageiros foi posta em causa.
A “bazuka” europeia, e outros fundos da UE, permitiram estar em cursos investimentos de uma centena de milhões de euros na exigida modernização e eletrificação da Linha do Oeste, até às Caldas e esquecendo o percurso a norte, com um grande potencial de expansão, dada a facilidade da ligação a norte e à prometida linha do TGV em Leiria.
Mas se isto significasse alguma coisa em termos logísticos e estratégicos locais de radical, partindo do princípio que tal ocorrerá mesmo nos próximos meses (coisa que parece não ter entrada na cabeça de ninguém), assistir-se-ia já a uma forte ação local compatível com esse facto.
É evidente que esta “revolução” nos transportes, deveria significar a possibilidade de alterar os acessos à capital por meios poluidores e consumidores de energias fósseis, fazendo diminuir as milhares de ligações diárias rodoviárias, de transportes individuais e coletivos.
Igualmente deveria colocar em questão a localização da estação rodoviária caldense, devendo passar do “centro do centro” da cidade, para o “centro da cidade urbana”, servindo verdadeiramente como central distribuidora de acessibilidades, combinando ferroviário com rodoviário e ganhando todos com isso, se estivessem a olhar para o futuro. Mas pelos visto é difícil que isso aconteça. ■