«Os preceitos práticos em geral e os de Henry Ford em particular» de Fernando Pessoa

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Gazeta das Caldas

Image1Fernando Pessoa (1888-1935) colaborou de modo regular com o seu cunhado Francisco Caetano Dias na «Revista de Comércio e Contabilidade». No seu número 6 de Junho de 1926 surge este saboroso texto. E inesperado pois a figura de Fernando Pessoa é, por norma, associada a ideias esotéricas, mistérios e cartas astrológicas mas não se pode esquecer um facto: o Poeta foi durante toda a vida um empregado de escritório, trabalhou como correspondente e tradutor nas principais empresas de comissões e consignações, de importação e de exportação. Fernando Pessoa («Todos temos duas vidas») foi isso mesmo – teórico e prático.
É o seu lado prático que o leva a escrever sobre a sociedade o seguinte: «A sociedade é um sistema de egoísmos maleáveis, de concorrências intermitentes. Cada homem é, ao mesmo tempo, um ente individual e um ente social.» E, mais à frente, explica os preceitos práticos: «Um preceito prático é uma regra de procedimento egoísta que não esquece a dupla natureza do homem nem o equilíbrio entre os seus dois elementos». Mas vamos aos 9 mandamentos de Henry Ford, coligidos por Lord Riddell:
«1- Busca a simplicidade. 2- Não teorizes; faz experiências. 3-O trabalho e a perfeição do trabalho tomam a precedência do dinheiro e do lucro. 4- Faz o trabalho de modo mais directo sem te importares com regras e leis. 5- Instala e mantém todas as máquinas no melhor estado possível e exige um asseio absoluto em toda a parte. 6- Se puderes fabricar uma coisa, que tens de usar em grandes quantidades, a um preço inferior ao por que a compras, fabrica-a. 7- Sempre que for possível, substitui o homem pela máquina. 8- O negócio não pertence ao patrão ou aos empregados, mas ao público. 9- O salário justo é o salário mais alto que o patrão pode pagar regularmente.»
Henry Ford tinha acabado de criar em 1926 a semana de cinco dias, a chamada semana- americana que só chegou a Portugal nos anos 70. Em 1966 o autor desta nota de leitura trabalhava num Banco de Lisboa ao sábado e em 1967 teve 12 dias de férias.
(Editora: Guimarães /Centauro, Coordenador: Vasco Silva, Grafismo: Luís Vilaça)