Pavilhões do Parque: hotel e celebração da cidade

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O projeto de reabilitação dos Pavilhões do Parque é absolutamente crucial para uma nova visão do termalismo, do turismo e, em geral, da cidade das Caldas da Rainha.
Aparentemente, ele está parado ou a marinar, pelo que urge uma solução para o pôr de novo em marcha. Neste impasse e sem que se crie entropia no processo, justifica-se repensar o teor da temática associada ao hotel, ou seja, um hotel ligado não só à cerâmica, como anteriormente foi previsto, mas a um espaço expositivo de celebração da história da cidade, cujo investimento privado suportaria parte dele, traria vantagens para o acondicionamento de coleções e espólios dispersos e para a boa gestão dos dinheiros públicos. Para tal, autarcas e investidores devem ter uma visão estratégica de mercado e ambas as partes ganham com os seus interesses.
A par da exposição permanente, ou seja, de uma área do edifício, autónoma e pública, dedicada a um percurso pela história urbana, seria interessante ao hóspede alojar-se em quartos dedicados às figuras maiores e, também, às épocas em que Caldas recebeu refugiados bóeres e judeus, à cerâmica, à pintura e à escultura, à glória do futebol caldense na década de 1950, aos espólios locais associados ao ciclismo e à tauromaquia, aos acessórios das termas, aos desenhos humorísticos de Bordalo, à Lagoa e à Praça da Fruta e, ainda, ao Bordado das Caldas e à doçaria.
Estes seriam aspetos específicos, tanto na área do circuito expositivo de gestão pública como no circuito hoteleiro de gestão privada.
Um hotel temático oferece uma experiência para que os hóspedes se tornem os divulgadores e principais comunicadores da experiência e, neste caso, da história da cidade. Oferecer uma experiência única, exclusiva e emocionalmente impactante, faz mais do que fidelizar, transforma o cliente numa ferramenta de comunicação, pelo seu testemunho de satisfação entre amigos e nas redes sociais. Em viagem, cada vez mais se quer ser surpreendido por um enredo ou uma narrativa, e os hoteleiros e os autarcas devem compreender que o cliente e o turista querem distinção, surpresa e personalização, pelo que a tematização passa a fazer sentido, podendo inclusive influenciar o retorno sobre os investimentos.
O centenário de elevação a cidade está a quatro anos de se comemorar. Com o serviço público e o investimento privado de mãos dadas, o tempo urge! ■ Jorge Mangorrinha