Permitam-me o desabafo…

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Cristina Teotónio

Sete meses de “pandemia”… sete meses de incertezas… sete meses de exaustão e cansaço…
Sete meses em que tanto aconteceu, tanto mudou, mas parece que parámos no tempo…
E voltamos ao início, mas pior que no início… porque estamos todos cansados, desgastados, exaustos e parece que nada fizemos…
A expressão que mais tenho ouvido nos últimos tempos: “Estou farto de Covid”…
E a tempestade aproxima-se como um mar revolto de ondas sucessivas com vagas cada vez maiores e esta luta cansa, cansa muito, consome-nos… por vezes apetece desistir…
Reflitamos sobre os números: ultrapassamos a barreira dos 100 000, com quase 2000 novos casos por dia, cerca de 1 200 internados, 14% dos quais em unidades de cuidados intensivos…
Noticias quase diárias de serviços de urgência com capacidade esgotada. Curiosamente, nos últimos dias com o aumento do número de casos, o afluxo aos serviços de urgência parece ter diminuído – será o medo? Mas esta batalha não se trava com medo, trava-se com racionalidade, literacia, regras… temos de ser mais “inteligentes” que o vírus.
E a principal arma está nas nossas mãos: proteção! Sim, o mais básico e elementar que podemos e temos obrigação de fazer, é proteger-nos, pois assim protegemos os outros. Uso de máscara, de forma adequada, etiqueta respiratória, distanciamento social, higienização das mãos e das superfícies… as nossas vidas e a economia não podem voltar a parar. Não queiramos um novo confinamento “obrigatório”, façamos o nosso “auto confinamento” com o recurso às medidas de segurança adequadas a cada situação, com sentido de responsabilidade e de dever cívico.
E, perdoem-me mais uma vez o apelo: o recurso adequado aos cuidados de saúde. Com toda a facilidade de acesso, por vezes, talvez até excesso de informação, o bom senso também tem que imperar. Usem a linha de saúde 24, contactem os cuidados de proximidade, não cedam ao alarmismo e ao medo, não procurem os cuidados de saúde mais diferenciados apenas na expectativa de fazer um teste. Um teste em tempo não adequado pode ser uma falsa segurança… vejamos os milhares de testes realizados até ao momento e a percentagem de positivos obtidos?!
E não esqueçamos que os serviços de saúde não “vivem” só para o Covid. Não podemos descurar as outras patologias que continuam a grassar com efeitos devastadores, pois é a descompensação das doenças crónicas e o “atraso” no diagnóstico e tratamento de doença não Covid que atualmente asfixiam os serviços de urgência…
Continuemos unidos nesta luta cujo fim não está seguramente próximo!