Quo Vadis… Caldas? | A hipotecar o futuro

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Tenho defendido, que a única forma de desenvolvimento sustentável de um território, passa forçosamente pela captação e incentivo ao investimento, como modo de geração de riqueza e emprego e por esta via, alavancarmos uma sociedade rumo ao desenvolvimento. Este é o único meio de atrairmos pessoas, com vista à sua fixação no território em causa, gerando-se aumentos de receitas. Isto, se nos quisermos preocupar e perspetivar o futuro e não pensarmos apenas no presente. É uma questão de estratégia. Pô-la em prática, implica em primeiro lugar percebê-la e em paralelo, ter vontade política e capacidade de decisão.

Ao invés, é possível e no caso de Caldas da Rainha faz-se, uma gestão territorial casuística, de navegação à vista, a pensar apenas na satisfação imediata, em que assumidamente se considera que o importante são os “eventos”, que se têm vindo a criar, sem sequer se ter a preocupação de avaliar qual o seu retorno e assim validar a sua pertinência, ou não. Evidentemente que os eventos, pelo menos alguns deles, fazem sentido. A questão que se coloca, agora e sempre, é com que recursos e qual o retorno do investimento. E essa preocupação, não existe.
Este, é o tipo de iniciativas que atraem à cidade, relegando ao esquecimento as restantes freguesias, pessoas durante uma noite, que de imediato regressam à sua origem. Chegam, usufruem do investimento e vão.
Por outro lado, estas iniciativas, quando organizadas pelo Município, podem e devem ser alavancadas inicialmente pelo erário municipal, mas devem ter como objetivo uma dependência cada vez menor, rumo à sua auto sustentabilidade. O que se passa é o inverso. De ano para ano, o subsídio do Município para cada um dos eventos aumenta e os respetivos encargos no orçamento tornam-se insustentáveis, sem que se arrepie caminho.
Por exemplo, não é admissível que a Feira dos Frutos do ano passado, tenha tido um custo de 380.000,00€, com um prejuízo de 210.000,00€. Não é admissível, mas era inevitável, porque se “ofertaram” bilhetes a preços escandalosamente baixos, a 80 cêntimos por dia. Mas como prevalece o rumo do devaneio e da leviandade, este ano repete-se o mesmo modelo, sendo possível adquirir um conjunto de bilhetes para os 10 dias da Feira, pela quantia de 10,00€, ou seja 1,00€ por dia e por esse valor, é possível assistir a espectáculos de “GNR”, Carminho ou “Xutos e Pontapés”, espectáculos que em festivais de Verão, custam 30, 40 ou 50,00€. É evidente que os interessados serão aos milhares, pudera…, usufruem de uma oferta, porque na verdade é disso que se trata, cuja oportunidade sabem ter apenas uma vez na vida. Assim se dá corpo a uma política de esbanjamento de recursos. Este é apenas um exemplo entre diversos outros eventos que de ano para ano têm um peso cada vez maior na despesa do Município. Se considerarmos que em eventos relacionados com o entretenimento puro, se gastam anualmente mais de um milhão de euros, sem que se tenha a mínima ideia sobre o respetivo retorno, estamos conversados sobre a forma irresponsável como se gere o orçamento Municipal.
Este é o tipo de política que tem levado muitos Municípios à falência e que por cá ainda vai sendo permitida, face à alegada boa situação financeira, que ainda nos permite o endividamento. Foi em 2015 com um empréstimo bancário de 2.400.000,00€, em 2016 outro empréstimo de 2.000.000,00€ e mais um aumento de água, contra os quais aqui me manifestei e no futuro próximo os sinais são claros, não tarda, resta o aumento de impostos e (ou) novo aumento da água, ou mais outro empréstimo bancário. O Relatório e Contas de 2016, apreciado e votado há duas semanas, não deixam dúvidas sobre o precipício de que nos aproximamos.
Discordo desta forma de gestão, que sistematicamente assume novos compromissos, no presente e para anos futuros e respetivas despesas, que ao invés, deviam ser drasticamente reduzidas.
Garantir simpatias e votos no presente, tem um custo incalculável e hipoteca o futuro.