A Semana do Zé Povinho – 24 junho

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Zé Povinho desta vez vai ser caseiro e, até, algo egocêntrico. Pois não podia deixar de elogiar quem tão bem concretizou o projeto de homenagear o seu criador e a si próprio com um trabalho que resultou plenamente. Num tempo em que se vêem amiúde estátuas e bustos sem qualquer critério e com pouca qualidade que desfeiam os visados, esta concretizada por uma tripla liderada pelo cartoonista António, que já nos habituou a bem desenhar Rafael e o seu Zé Povinho (como o fez na estação de metro do Aeroporto), e pelos dois ceramistas caldenses, José Carlos e Constantino, que se esmeraram em dar conteúdo físico à ideia inicial e resultou impecavelmente. A grande qualidade da estátua está a agradar surpreendentemente à quase totalidade daqueles que passam pelo local. Ainda bem. Parabéns aos três autores. E parabéns a Caldas, por ter sabido agarrar este projeto diferenciador.

Em política, a coerência é um fito quase inatingível e Zé Povinho percebe bem as razões para tal. O jogo do poder obriga a táticas e estratégias e há quem consiga fazer o pino e, ainda assim, jure a pés juntos que nunca saiu do mesmo sítio. Porém, há coisas que custam a entender. Vem isto a propósito da recente recusa de António Oliveira, uma escolha pessoal de Rui Rio para conquistar a Câmara de Vila Nova de Gaia para o PSD, em ir a votos. O antigo selecionador nacional argumentou e saiu da corrida e na Concelhia alguém esfregou as mãos de contente. É caso para dizer que até parece castigo, porque, como é público, o presidente do PSD defendeu jurou a pés juntos que não misturava política e futebol, mas, acreditando que podia ganhar aquela Câmara, recorreu a uma velha glória do FC Porto. Dizem que é o karma…