A Semana do Zé Povinho – 13/10/2017

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Gazeta das Caldas
Gazeta das Caldas
José Ruy

Zé Povinho, que está indefectivelmente ligado à origem da banda desenhada em Portugal porque o seu criador Rafael Bordalo Pinheiro foi o precursor desta arte, ficou deveras sensibilizado com a vinda às Caldas do desenhador José Ruy.
Depois de ter realizado no final dos anos 90 a história da origem das Caldas da Rainha em banda desenhada, numa publicação intitulada “Nascida das Águas”, eis que regressa agora à cidade termal para acrescentar um novo capítulo que a marcou para o mundo no século XX: a tentativa falhada de revolução perpetrada pelo RI5 em 16 de Março de 1974.
Apesar de não ter conseguido os seus objectivos, o 16 de Março enquanto momento federador e mobilizador dos militares contra o regime autoritário, constituiu um marco histórico e a fonte para ganhar a atenção da comunidade internacional para o mau estar que se vivia na sociedade portuguesa.
José Ruy é um artista já com uma longa carreira na banda desenhada, formado na Escola de Artes Decorativas António Arroio, tendo colaborado em inúmeras revistas desta especialidade e ilustrado inúmeros livros, de que são mais conhecidos a adaptação da vida maravilhosa de Charles Chaplin e os Lusíadas de Luís de Camões.
São razões mais do que suficientes para Zé Povinho se rejubilar com a sua decisão em trazer o 16 de Março à banda desenhada e enriquecer a obra “Nascida das Águas” com um capítulo inesquecível para os portugueses e caldenses, que foi o precursor do 25 de Abril de 1974.

Gazeta das Caldas
Fernando Costa

O ex-presidente da Câmara Municipal, Dr. Fernando Costa, parece que perdeu o seu talismã dos pleitos eleitorais caldenses pois desde o seu abandono compulsivo (por limite de mandatos), nunca mais foi bafejado com as almejadas vitórias.
Há quatro anos perdeu para o candidato comunista, no concelho de Loures, onde depois fez uma aliança contranatura, certamente pelas melhores razões para si, e fez um mandato cordato e conciliador, que levou à reeleição fácil do anterior presidente.
Desta vez optou por uma candidatura ao seu concelho natal, Leiria, mesmo assim enfrentando alguma polémica local na escolha do seu nome, tendo deixado para trás o seu arqui-adversário no PSD, o bombarralense Feliciano Barreiras Duarte, levando a escolhas pouco consensuais para o acto eleitoral da passada semana.
Fechadas as urnas, contados os votos, a ilusão do sucesso esvaziou-se, tendo conseguido um dos piores resultados do PSD em Leiria (que já foi conhecida como um dos centros nacionais do Cavaquistão) reforçando a votação no PS.
O derrotado Dr. Fernando Costa não teve a generosidade do seus colegas de partido, especialmente dos jovens laranjas que imediato lhe apontaram o caminho de regresso às Caldas da Rainha. Para a JSD, o ex-autarca caldense teve um resultado “vergonhoso” do qual ele é o “único culpado”. É o próprio jovem dirigente da JSD que diz aos jornais de Leiria que “curiosamente Fernando Costa é o único que não quer assumir a totalidade da culpa” e que depois “culpa os jornalistas, culpa o momento actual nacional, culpa todos, mas não assume para si as escolhas infelizes que fez e a triste campanha que fez”.
Será que o Dr. Fernando Costa terá de vir chorar as suas mágoas para a cidade onde foi politicamente feliz?