Ser aluno e professor-parte 2

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Mercês Silva e Sousa
professora

Todos aprendemos como alunos com o que a vida nos dá. Contactei vários graus de ensino. Nos anos 50, frequentei o Jardim Infantil Maria Montessori, em Lisboa, com uma pedagogia e didática muito especiais e ainda recordo alguns episódios. Vivenciei muitas e diversificadas situações para poder aprender o melhor possível e ter sucesso na escola. Inicialmente utilizava os manuais escolares para estudar e tive de desenvolver a memória. Sofri castigos corporais no ensino oficial, na escola primária,3ª e 4ª classes. Se a tabuada não era decorada, os erros no ditado ou os problemas de aritmética incorretos, tudo era convertido em ralhetes e reguadas nas palmas das mãos. Depois passei pelos atuais ensinos básico, secundário, e superior universitário, este, em Lisboa. Na Faculdade, tive de controlar o meu cérebro e finanças, investindo em aprofundar os conteúdos exigidos, adquirindo enciclopédias e livros científicos, tirando muitos apontamentos nas aulas, existindo raras sebentas!
Mas a tecnologia evoluiu vertiginosamente e hoje, com os computadores, telemóveis, redes sociais e inteligência artificial, as deficiências, o facilitismo e a superficialidade aumentam nos alunos a todos os níveis, ao delegarem o seu cérebro. O quociente de inteligência mundial dos jovens está a diminuir desde os anos 80 do século passado.
A nível mundial, 29% dos estudantes do 3º ciclo recorrem aos telemóveis de forma indevida, havendo bullying online (cyberbullying), comportamentos perturbadores e falta de atenção nas aulas, diminuindo muito o seu aproveitamento e aprendizagem.
Os alunos têm acesso a vastíssima e rápida informação. Conhecer é compreender e associar dados, mas o interiorizar e aprender verdadeiramente é também aplicar todo esse conhecimento a novas situações. Os jovens têm, na sua maioria, mais dificuldades no raciocínio e na relação entre conteúdos de diversas áreas do conhecimento. Compreende-se que muitos países estejam agora a proibir a utilização dos telemóveis nas escolas a fim de tentar que as crianças e os alunos possam desenvolver mais a sua aprendizagem.
Estamos na fronteira de um novo paradigma do conhecimento, da ciência que reconhece estar incompleta sem a espiritualidade.
A aventura humana continua e avança, pois, o tempo não volta para trás. O conhecimento progride, a tecnologia, também, mas como se aplicam é que pode fazer a diferença. Haja prudência e inteligência no uso das tecnologias de informação como recurso, não como um fim.■